DIA INTERNACIONAL DA MULHER: Neia Boroto Merlin: ‘Lutem pelos direitos de todos! Vocês podem mais do que pensam; só apedrejam árvores frutíferas’

"EU PENSO QUE AS MULHERES TÊM QUE OCUPAR O SEU ESPAÇO SEM OFENDER O ESPAÇO DOS HOMENS. O RESPEITO ESTÁ ACIMA DE TODAS AS COISAS, É O MEU PONTO DE VISTA"

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No Dia Internacional da Mulher, o CENSURA ZERO entrevista a mateense Neia Boroto Merlin, 46 anos, moradora do Córrego do Moreira, no Distrito de Nova Verona.

Produtora rural e lutadora por direitos coletivos, por ser sobrinha do ex-prefeito Amadeu Boroto, Neia teve o nome envolvido em calúnias devido a cobranças que fez à Prefeitura de São Mateus em face das condições precárias das estradas vicinais da região onde mora.

Mas ela segue em frente, publicou uma mensagem de resposta esclarecendo os pontos da luta, ganhando a adesão e o apoio de lideranças e moradores de comunidades rurais e da cidade.

Empreendedora rural, Neia é divorciada e cuida com carinho dos dois filhos (uma menina de 11 anos e um menino de 9). Ela é formada em Administração e pós-graduada em Gestão Agroindustrial. Produtora de café conilon e pimenta-do-reino, integra a Associação de Cafeicultores do Brasil (Sincal).

Ser humano altruísta, mulher guerreira, mãe, trabalhadora, cidadã consciente e formadora de opinião. Confira a entrevista com Neia Boroto Merlin:

1 -Como e qual tem sido a sua luta em favor de melhorias no Córrego do Moreira e adjacências?

A minha luta desde que me mudei para cá, sempre foi a melhoria das estradas. É o mínimo que o produtor rural quer. Nós queremos estradas em boas condições para poder escoar a produção, para transitar, poder ir ao médico, levar criança para escola em segurança… Essa luta vem de muito tempo, desde a administração do prefeito anterior. Na verdade, eu ‘brigava’ mais com ele do que com esse atual, essa é a realidade. E não só por melhoria das estradas, a gente vem brigando por melhoria das escolas aqui também, porque as escolas rurais estão abandonadas. Outra luta que a gente vem travando é com relação ao preço de café e pimenta. O preço do café está escravizando o cafeicultor hoje em dia, nós estamos pagando para trabalhar; a gente vem lutando também por isso há muito tempo.

2 – Como Você recebeu a mentiras propagadas a seu repeito depois que se posicionou publicamente?

Com tristeza, né. A gente se assusta na hora, porque nunca espera quando está trabalhando dentro da lei e lutando por direitos também previstos na lei. Mas a gente espera isso de pessoas que não têm o mínimo de respeito à família e às pessoas de uma forma geral. Eu estou de consciência tranquila, bem tranquila mesmo, eu não tenho nada a temer, não tenho nada para esconder. A minha vida é bem tranquila. Eu resolvi usar o meu direito de resposta, um direito que me assiste, para me defender e esclarecer toda a situação. Mas isso, no meu ponto de vista, é uma forma das pessoas que estão erradas tentarem nos intimidar. Mas eles não conseguiram me intimidar porque eu não tenho nada a esconder, eu sempre trabalho pelo certo, até onde eu conheço a lei. Eu vou trabalhando dentro da lei.

Produtora de café conilon e pimenta-do-reino, Neia Boroto Merlin integra a Associação de Cafeicultores do Brasil (Sincal).

3- Como Você qualifica essa situação (propagação de calúnias) às vésperas da comemoração do Dia Internacional da Mulher?

Essas calúnias, dentro da Semana da Mulher, foi um tiro no pé para as pessoas maldosas que não sabem trabalhar, um desrespeito muito grande à mulher. Quero deixar bem claro que eu não sou feminista, eu não gosto de extremistas. Eu não sou feminista, nem machista, sou apenas uma mulher de verdade. Eu acho que cada um tem que estar no seu lugar, mulher ocupando a sua posição. Se ela estiver ocupando uma posição igual ao homem, ela tem que receber direitos iguais; do contrário, os direitos são diferentes. Então, nós mulheres tivemos nossos direitos reconhecidos recentemente, tem duas décadas. E receber uma calúnia grave assim, na Semana Internacional da Mulher, é até constrangedor para quem ofende. É a minha opinião. As pessoas têm que pensar antes de caluniar, e também investigar se é verdade. A verdade tem que prevalecer.

4 – Diante do que a sociedade defende com a instituição do Dia Internacional da Mulher, como Você se insere no contexto de luta por direitos e conquista de espaço?

Deixando bem claro, como já coloquei anteriormente, eu não sou feminista. Eu penso que as mulheres têm que ocupar o seu espaço sem ofender o espaço dos homens. O respeito está acima de todas as coisas, é o meu ponto de vista. A minha luta é por direitos coletivos, porque eu não quero migalhas, eu quero condições dignas para a minha família, principalmente para os meus filhos. Eu quero receber os serviços públicos pelos quais eu pago; eu sou pagadora de impostos, então tenho o direito de receber serviços de qualidade, dignos, e na área que eu atuo.

5 – É sabido que muitos dos direitos dos cidadãos e das comunidades somente são alcançados por meio da Política. Qual é a sua relação com as esferas do poder público?

Não tenho relações políticas com quem quer que seja, a luta que eu acredito é a luta por classes, como a classe dos cafeicultores, como estar lutando por preço digno do café, já que nós estamos pagando para trabalhar. Não tenho relações políticas com ninguém, a briga é por cumprimento da lei e cumprimento dos nossos direitos, que estão abandonados; não se está cumprindo a lei.

NEIA BOROTO MERLIN, com os filhos: Ser humano altruísta, mulher guerreira, mãe, trabalhadora, cidadã consciente e formadora de opinião.

6 – Você tem pretensões políticas, este ano ou no futuro?

Não tenho pretensões políticas, em hipótese nenhuma. Não gosto. Eu gosto de Política, não gosto de ser um político. Isso não passa pela minha cabeça, sob nenhum pretexto. Eu já tenho trabalho demais, eu não gosto, eu não vou aceitar coisas erradas. Não tenho interesse nenhum mesmo.

7 – Qual é a mensagem que Você deixa, enquanto mulher e com o perfil que Você tem, neste Dia Internacional da Mulher?

Como mulher de verdade que sou, com muito orgulho, digo a todas que lutem pelos direitos de todos, principalmente pelos direitos de nossos filhos. E acreditem em vocês, mulheres! Vocês podem mais do que pensam, tenham orgulho de tudo que conquistamos! E se estão enfrentando adversidades, lembrem-se: “Só apedrejam árvores frutíferas”.

CENSURA ZERO- AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA

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