O prefeito Daniel Santana, o Daniel da Açaí (sem partido), protagonizou cenas consideradas lamentáveis após participar com o governador Renato Casagrande (PSB) e comitiva da cerimônia de transferência simbólica da Capital do Estado para São Mateus, no feriado municipal do Dia da Consciência Negra, com uma programação repleta de atividades no Sítio Histórico do Porto, prestigiada por dezenas de pessoas.
O CENSURA ZERO apurou que Daniel cometeu um “ato de grosseria e insultos” contra a líder comunitária Marina Cruz da Silva, ex-presidente da Associação de Moradores do Bairro Porto, simplesmente porque ela teria aproveitado a presença do governador Renato Casagrande para reivindicar a ampliação das obras de contenção da encosta na Ladeira do Besouro até o barranco ao longo da Rua Coronel Domingos Rios, um dos acessos ao Porto Histórico.
O episódio ocorreu após o retorno do governador Casagrande junto com o prefeito Daniel e comitiva de vistoria às obras da Ladeira do Besouro, que estão sendo executadas com recursos estaduais da ordem de R$ 51 milhões.
“Ali [na Ladeira do Besouro], estão tendo as obras de contenção, mas não está incluída a parte da Avenida Coronel Domingos Rios nas proximidades da antiga sede do posto de saúde. Essa parte também foi prejudicada e fica em frente à casa da moradora Marina. Quando o Casagrande passou [no sentido Ladeira do Besouro], Marina não estava na varanda, mas quando ele voltou, ela estava na varanda da casa dela e, muito educada, abordou o governador e pediu a ele que a obra não contemplasse só aquela parte de lá [nas proximidades do ponto de captação de água bruta do Saae], mas também a área em frente à casa dela [nas proximidades da escadaria], onde o barranco também está desmoronando, causando risco às casas”, detalhou uma fonte ao CZ, frisando que toda a reivindicação foi presenciada por outros moradores, autoridades e participantes da comitiva do governador Casagrande.

DANIEL AGE COM GROSSERIA NA AUSÊNCIA DO GOVERNADOR
Conforme relatado ao CENSURA ZERO, a ex-presidente da Associação de Moradores do Bairro Porto, Marina Cruz da Silva, dirigiu-se ao governador, entendendo que a verba para a execução das obras é oriunda do Governo do Estado e indagou o que Renato Casagrande poderia ajudar ao grupo de moradores da área: “Casagrande foi muito educado com ela e falou que a prioridade era a parte da Ladeira do Besouro até a Praça do Mirante, mas que nada impediria de, futuramente, ele destinar uma verba para que o prefeito [Daniel da Açaí] contemplasse a parte de cá [após a escadaria da Praça do Mirante]”.
A fonte do CZ relata que, na frente de Casagrande, o prefeito Daniel concordou, mas deixou o governador entrar no carro para sair do Bairro Porto e retornou, afirmando para a líder comunitária que ele não iria fazer a extensão da obra reivindicada: “Disse que não iria fazer obra nenhuma, não, porque o Ministério Público estava movendo uma ação para tirar aqueles moradores dali. Foi aí que começou a confusão. Começou o bate-boca, né? Ela [Marina] abordou de uma forma bem educada, mas o prefeito fez um ato de grosseria e insultos. Aliás, grosseiro foi pouco; isso não é um ato de prefeito. Ele esperou o governador ir embora, voltou e fez isso”.
As cenas reprováveis teriam sido presenciadas por servidores ligados ao prefeito Daniel Santana, entre eles o subsecretário de Obras Berg, além de diversos moradores.

Marina, que é negra, é moradora antiga do Bairro Porto, já foi presidente da Associação de Moradores e compôs outras diretorias. “Ela estava no direito legítimo de reivindicar ao governador [Renato Casagrande]”, acrescentou um morador ao CENSURA ZERO, atestando que a atitude do prefeito revoltou a todos os moradores da localidade.
O paradoxo é que o “ato de grosseria e insultos” do prefeito Daniel da Açaí contra uma mulher negra líder comunitária ocorreu a poucos metros do local em que acabara de participar com o governador Renato Casagrande e comitiva da transferência simbólica da Capital do Estado para São Mateus, por força de lei estadual, em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra.
Além disso, em parceria com a Prefeitura de São Mateus, a secretária estadual das Mulheres, Jacqueline Moraes, que integrava a comitiva do governador, acabara de dar início à campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres com a ação ‘Nossos Dias de Luta – Neném Preta’.
“Internacionalmente, a campanha se inicia no dia 25 de novembro; entretanto, a Secretaria de Mulheres antecipou a campanha, tendo em vista que a violência não atinge todas as mulheres da mesma forma, sendo as pretas e pardas as mais atingidas. Neste sentido, considerando a dupla vulnerabilidade da mulher negra, a promoção dos 21 dias de ativismo enfatiza o combate à violência contra as mulheres negras ao iniciar a campanha no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra no país”, explicou Jacqueline Moraes.
O OUTRO LADO
O CENSURA ZERO tentou, sem sucesso, contato com o prefeito Daniel da Açaí para que ele dê a sua versão dos fatos ocorridos no Bairro Porto.
O espaço segue disponibilizado. Havendo retorno, o texto será atualizado.
CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA






