ARTIGO – Carta aos Empresários da Indústria: Agenda Nacional

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POR EGIDIO MALANQUINI*

No final do ano passado, encaminhei para Você uma carta falando sobre a minha história como industrial e associativista e o meu propósito de junto com você e os demais empresários industriais fazermos da indústria o vetor de desenvolvimento do Estado.

Também ressaltei que, após ouvir sindicatos, trabalhadores da indústria, autoridades, outras entidades irmãs e agentes empenhados no crescimento capixaba, desenvolvemos nosso programa de gestão com base em cinco eixos estratégicos: Associativismo, Interiorização, Competitividade, Fortalecimento dos Serviços do Sesi, do Senai e do IEL e Valorização da Indústria Capixaba.

Venho agora propor a Você que, juntos, também priorizemos uma outra agenda que pode fortalecer toda a indústria nacional e que visa à construção de uma economia mais produtiva, competitiva, inovadora e integrada ao mercado internacional.

No relatório de 2019 sobre a competitividade de 141 países elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 71ª posição (em 2018 estava na 72ª posição). Vários obstáculos levam o país a um processo lento de recuperação da sua competitividade, comprometendo o crescimento econômico e a geração de emprego e renda, o que contribui para ele estar nessa posição.

Entre eles, destacamos:

-A baixa qualidade da educação básica e a reduzida oferta de formação técnica e profissional, colocando o país em desvantagem na capacidade de inovar e competir.

-Um sistema tributário oneroso, complexo e que envolve uma burocracia excessiva, gerando
altos custos para se pagar impostos e insegurança jurídica, além de inibir investimentos.

-Uma infraestrutura logística precária, aquém da capacidade produtiva do Brasil, dificultando a realização de um transporte e um escoamento eficiente, elevando os custos e a perda de competitividade.

Para reverter esse quadro, a Findes, juntamente com as federações de indústria dos demais Estados, do Distrito Federal e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), precisa atuar com ações que levem a superar esses gargalos, como:

-Investir na melhoria da qualidade da educação básica e na implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), na ampliação da formação profissional, na Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de priorizar a formação continuada de docentes, inclusive aprofundando seus conhecimentos voltados para a indústria 4.0 e a inovação.

-Sensibilizar os governos federal e estaduais, e a sociedade acerca dos avanços necessários na reestruturação do sistema tributário, eliminando distorções que geram cumulatividade e na diminuição da burocracia.

-Aumentar e agilizar a privatização ou concessão da infraestrutura logística com regras claras que permitam o aumento dos investimentos e aperfeiçoamento dos marcos regulatórios, permitindo uma logística de transporte eficiente, com a realização das entregas dos insumos e da distribuição dos produtos finais com segurança e nos prazos adequados.

Há necessidade, também, de ações do Sistema Indústria Nacional – composto pela CNI, as
federações estaduais da indústria dos 26 Estados e do Distrito Federal, o Sesi, o Senai, IEL, outras entidades ligadas às federações, além de cerca de 1.280 sindicatos patronais Industriais – no sentido de contribuir com a indústria nacional para que ela desenvolva competências para construir o futuro, o que requer iniciativas como o aumento da capacidade de inovação das empresas, a inserção na Indústria 4.0, a internacionalização da indústria com maior valor agregado e a participação na economia de baixo carbono.

Quero destacar como muito importante para aumentar o ritmo de crescimento da economia do país e da nossa indústria, portanto sendo fundamental o apoio da Findes, juntamente com todo o Sistema Indústria Nacional, no sentido da rápida aprovação do Plano Mais Brasil recentemente encaminhado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional contendo três Propostas de Emenda à Constituição (PECs): a PEC do Pacto Federativo com medidas de médio e longo prazos que descentraliza os recursos públicos e garante maior autonomia a Estados e municípios, aliada à maior responsabilidade na gestão fiscal de todos os entes da federação; a PEC Emergencial com medidas permanentes e emergenciais de controle do crescimento do gasto público da União, Estados e municípios; e a PEC dos Fundos Públicos que extingue aqueles que não forem ratificados até o final do segundo exercício financeiro subsequente à promulgação da Emenda Constitucional, o que poderá proporcionar um menor pagamento de juros e uma melhora do quadro fiscal no longo prazo.

Por último, é fundamental que a Findes, juntamente com todas as federações estaduais da indústria, a CNI e os sindicatos industriais, fortaleça o associativismo industrial e sua capacidade de ação política para conseguir a implementação da agenda nacional de aumento da competitividade do setor industrial e da economia do país, conseguindo, desta maneira, estar em melhor posição relativa nos próximos Relatórios de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial.

Continuo contando com Você nesta nova jornada e um forte abraço! #SomosAssociativistas2020-2023

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