ARTIGO – O ‘noivado político’ da atriz Regina Duarte

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POR KLEBER GALVÊAS*

Kleber Galvêas

O noivado político’ da atriz Regina Duarte com o presidente Bolsonaro é notícia onde todos metem a colher, mas na panela errada. O problema não é a dívida da atriz ter um valor expressivo, mas a sua origem: a Lei Rouanet.

Dever não é crime, nem imoralidade. É um atestado de confiança (de fé) dado pelo credor. Ao conceder o crédito, ele partiu do entendimento de que irá receber o capital com juros. Ambos conhecem a legislação, a estrutura do poder do Estado, e o devedor atento sabe, como dizia meu avô, que não se briga com quem usa saia: “juiz, padre e mulher”.

Dívida não é calote. Atesta positivamente o interesse do empreendedor destemido, que se aventura apostando, que vai gerar riqueza ou dividendos sociais e cumprir seu compromisso.

A lei Rouanet, de inspiração paternalista, é fruto tardio e amargo que amadureceu e vigora viçoso através de governos ditos de direita e de esquerda. Aqui no Brasil, a Cultura institucionalizada por Getúlio Vargas e Gustavo Capanema foi privatizada pela Lei Sarney (1986), madrinha da Lei Rouanet. Hoje, no Brasil, quem determina o que mostrar, quando mostrar, por quanto tempo e com que amplitude são as grandes empresas e não mais o governo e, muito menos, o público.  Embora sejamos nós a pagar a conta, por meio do mecanismo insidioso da renúncia fiscal.  Pagamos para nos maltratarem, corromperem, para massacrarem iniciativas populares e eruditas autênticas.

Por definição: Cultura é a expressão de um povo. Assim, a iniciativa deve ser popular. Quando alguém ou um grupo resolve orientá-la deixa de ser Cultura e passa a ser Ideologia, essa política recebe o sufixo “ismo”: Getulismo, Capitalismo, Comunismo, Nazismo, Sionismo…

Para mim, pintor prestigiado apenas pelo público que frequenta o nosso “Ponto de Cultura”, há 40 anos, tem sido muito difícil manter as portas abertas exclusivamente com o fruto do trabalho de pintor, mas sempre recusamos participar de Leis de “Incentivo à Cultura”, que julgamos serem contrárias à ética, à boa política. Pleiteamos parcerias com empresas e com o governo, preconizadas nos Art. 215 e 216 da Constituição.

Da inteligente, competente, brilhante, estimada e famosa atriz Regina Duarte esperava uma postura crítica em relação à Lei Rouanet, e quem critica não deve usufruir. Foi preocupante saber que a atriz recorreu três vezes ao expediente legal, mas imoral, da Lei Rouanet, fato que sugere continuidade na perversa política cultural vigente.  

Sou otimista e conheço exemplo de força moral e aprendizagem determinando mudança de comportamento, inclusive entre políticos (veja o vídeo). Espero que Regina Duarte, possível Secretária da Cultura se informe, aprenda, mude o comportamento e devolva o “fazer cultural” ao povo.  

*Kleber Galvêas é Pintor e Escritor. Contatos: (27) 3244 7115 | www.galveas.com

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