EDITORIAL – 100 dias do pacto da vingança: prejuízo de quase R$ 11 milhões para o Povo Mateense; mas houve outras coisas graves

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O pacto da vingança do prefeito Daniel Santana com o 11 vereadores de São Mateus, sem sombra de dúvidas foi o grande destaque desses 100 dias de atividades dos novos mandatários da Prefeitura e da Câmara Municipal. Em nome da “união política em São Mateus”, Daniel teve o apoio dos 11 parlamentares para se vingar da composição antiga da Câmara Municipal, sem se atentar que o prejuízo ficaria com a população dos cinco distritos do Município: quase R$ 11 milhões.

Sem pestanejar ele, simplesmente, vetou 70 das 71 emendas aditivas e modificativas já aprovadas junto com o Orçamento Municipal de 2021. Preservou apenas a que lhe era favorável, aumentando de 3 por cento para 50 por cento o percentual de recursos que pode remanejar do total de R$ 315 milhões do Orçamento.

Pelo pacto da vingança, Daniel entrou em acordo com os vereadores e a Câmara Municipal confirmou o veto às 70 emendas, o que significou a retirada de R$ 10,891 milhões já assegurados para ações e ações nas diversas comunidades de São Mateus. Construção e reformas de unidades de saúde e de escolas; calçamento de ruas; construção e reforma de quadras esportivas; melhorias em campos de futebol; construção de praças e áreas de lazer; construção ou término de construção de redes de esgoto; perfuração de diversos poços artesianos; recursos para o Hospital Maternidade; construção ou ampliação de unidades do Cras e para apoio aos produtores rurais…

Repito: por subserviência ao Prefeito, os 11 Vereadores retiraram do Povo Mateense obras e ações da ordem de 10 milhões, 891 mil reais. Tudo para investimentos necessários, cujas dotações orçamentárias atenderiam a reivindicações das comunidades (muitas delas antigas) num universo de R$ 315 milhões!

Mas aí é que está o ‘x’ da questão: nas palavras do atual presidente da Câmara Municipal, Paulo Fundão (PP), eles querem fazer história na política de São Mateus. E o sonho de Paulo Fundão é construir a nova sede da Câmara. Até aí, nada demais; o Legislativo precisa mesmo de sua sede própria. Mas será que tem ser agora, no primeiro ano de mandato e em meio a uma crise social e financeira por causa da pandemia da covid-19? Além disso, ele depende do Prefeito, por causa dos encaminhamentos com relação ao terreno, que já começaram a acontecer, e a captação de recursos.

SANGUE DO POVO NA FUTURA OBRA DA CÂMARA

Uma constatação que ressoa em São Mateus é que Paulo Fundão, o advogado reconhecido na Cidade e na região, mudou muito de postura e comportamento depois que assumiu as funções de Vereador e Presidente da Câmara de São Mateus. Com o aval dos outros 10 vereadores, sujeitou-se ao pacto de vingança com o prefeito Daniel e, agora, quer o sangue do Povo Mateense derramado na pedra fundamental da obra da futura sede própria do Legislativo de São Mateus.

Mas os prejuízos para a população vão além dos quase R$ 11 milhões em obras e ações, com rubricas carimbadas, retirados do Orçamento Municipal de 2021. Nesses 100 dias, São Mateus teve um grupo de vereadores totalmente submisso, rendido de pés, mãos e pensamentos ao prefeito! E a tendência é que a situação permaneça se não houver quem reaja!

Os Vereadores abriram mão do seu dever legítimo de fiscalizar o Poder Executivo e estão com a incumbência de aprovar projetos que foram rejeitados pela composição passada da Câmara Municipal porque, ou não tiveram discussão suficiente com a Comunidade Mateense, ou resultavam em prejuízos para o Povo, com aumentos de impostos, como IPTU e ISS, e atraso para o desenvolvimento sustentável regional.

No pacto da vingança, o prefeito Daniel Santana exigiu e Paulo Fundão aceitou com rendição a permanência de três deles em cargos estratégicos da Câmara de São Mateus. E se o objetivo de Paulo Fundão é fazer história na política de São Mateus, por que ele se mostra coadjuvante, nomeando o ex-líder do Prefeito para ser o mandachuva da Câmara Municipal, colocando gente de Daniel nas principais secretarias do Legislativo e se aproximando dos criminosos criadores e propagadores de fake news institucionalizada? Já é um recorde histórico de subserviência!

O POVO MATEENSE PAGA A CONTA

Para se ter uma ideia, hoje nos diversos cargos da Secretaria de Comunicação da Câmara não tem um Profissional Jornalista ou Radialista; tem militantes nomeados como servidores para atuar na polarização política Lula-Bolsonaro nas redes sociais, e o Povo Mateense paga a conta. O Secretário de Comunicação é um ex-vereador, que é agricultor.

Com todo o respeito e o devido reconhecimento aos agricultores, mas é muita incompetência e falta comprometimento com a coisa pública um presidente de Câmara de Vereadores entregar o comando da Comunicação Social de tão importante órgão público, numa cidade do porte de São Mateus, a alguém sem habilitação específica por mero acordo político!

Reforço que isso acontece em pleno Século 21, numa Cidade de destaque macrorregional com 130 mil habitantes, que tem faculdade na área de Comunicação Social, cinco emissoras de rádio, três de televisão, quatro jornais impressos e quase 10 jornais online. E este exemplo da Comunicação é referência para outros setores do Legislativo. Definitivamente, não é isso que se espera de um presidente da Câmara que quer fazer história na política de São Mateus!

Paulo Fundão disse na posse que lutaria pelo concurso público no Legislativo Mateense. Mas, na prática, em plena pandemia, ampliou de 156 para 166 o número de servidores, a esmagadora maioria comissionados. A folha de pagamento da Câmara já beira a R$ 400 mil. Concordamos que, em São Mateus, tem muita gente precisando de emprego. Mas fazer benevolência com o dinheiro público com interesses políticos também no Legislativo não dá! Já basta o que se nota há quatro anos na Prefeitura!

Está na hora do Povo de São Mateus acordar! E o balanço dos 100 dias dos mandatos de Prefeito, Vice-prefeito e Vereadores alertam para isso!

É tempo suficiente também para os próprios Vereadores reconhecerem os prejuízos desse pacto da vingança. Para os mandatos deles e, principalmente, para o Povo Mateense. Como o CENSURA ZERO vem mostrando, há casos incoerentes e inconsequentes que fazem acreditar que os parlamentares iniciaram os trabalhos legislativos sem nenhuma noção da responsabilidade que têm.

SEM NOÇÃO

O líder do prefeito Cristiano Balanga (Pros), para agradar a Daniel, ajudou a retirar R$ 1 milhão já carimbados no Orçamento Municipal de 2021, para construção da unidade de saúde e calçamento de quatro ruas no Bairro Aviação; e depois indicou ao prefeito o calçamento de apenas uma rua. Balanga foi além: comandou a retirada de recursos assegurados para construção de escolas e unidades de saúde, calçamento de ruas, perfuração de poços artesianos, construção de rede de esgoto, extensão de rede elétrica em diversos bairros da Cidade.

Recentemente, ele comemorou com o prefeito Daniel a inauguração de unidade de saúde e ambulância no Bairro Seac. Mas agiu junto aos vereadores para retirar do Orçamento Municipal as dotações garantidas para construção de unidades de saúde e ambulância no Assentamento Zumbi dos Palmares; e excluiu R$ 300 mil para o atendimento a gestantes e bebês no Hospital Maternidade São Mateus. Só para ficar na área de saúde.

Outro caso é o do vereador Gilton Gomes de Jesus, o Pia (PSDB), que, na subserviência a Daniel, retirou R$ 600 mil que seriam acrescentados a outros R$ 400 mil, totalizando R$ 1 milhão para a construção da sede própria do Ceim do Bairro Porto. Depois, indicou ao prefeito que faça a obra, mesmo sabendo que não tem como iniciá-la com apenas R$ 400 mil. Pia excluiu também recursos para a reforma do prédio e construção da quadra poliesportiva da escola do Bairro Cricaré e para a reforma da escola do Córrego do Chiado.

INCOERÊNCIA

E não para por aí. O vice-presidente da Câmara Municipal, Kacio Mendes (PSDB), que foi eleito com a ajuda de Daniel, decidiu retribuir aderindo ao pacto da vingança do prefeito. E, nesse intento, o ex-jogador de futebol ficou até contra os desportistas. Retirou cerca de R$ 2 milhões do Orçamento Municipal que eram para apoio certo a atletas mateenses e para construção e melhorias de campo de futebol, construção e reformas de quadras poliesportivas, e áreas de lazer nos bairros Vila Nova, Vila Verde, Jardim Eldorado e diversas localidades dos Distritos de Nestor Gomes e Itauninhas.

Curioso é que Kacinho, logo no início do mandato, anunciou ter pedido ao prefeito a pavimentação asfáltica da Avenida João Nardoto, entre o Bairro Sernamby e Cohab, que já tinha R$ 200 mil assegurados em emenda aprovada no Orçamento Municipal em 2020. A obra tem chance de ser feita, mas é preciso registrar que, junto com os outros vereadores, o vereador excluiu a dotação ao votar favorável ao veto do prefeito Daniel, no ‘pacto da vingança’.

No primeiro mandato, a vereadora Ciety Cerqueira (PT), 1ª secretária da Mesa Diretora, ajudou a excluir do Orçamento de 2021 quase R$ 5 milhões para obras e ações importantes nos distritos de Nestor Gomes e Nova Verona, que é o reduto dela. Inclusive verba garantida para a tão reivindicada ampliação do Cemitério de Nestor Gomes, com iluminação e calçamento da rua de acesso.

Ciety aderiu ao pacto de vingança de Daniel e, na condição de vereadora mais votada de São Mateus, terá que contar com grande benevolência do prefeito (que ele não costuma ter) para reparar o estrago feito à região dos quilômetros. Recentemente, ela apresentou uma indicação ao Chefe do Executivo visando, talvez, reparar um dos erros na confirmação cega do veto: a aquisição de área para ampliar o Cemitério de Nestor Gomes. Mas, agora, não tem mais os recursos garantidos no Orçamento porque ela ajudou a excluir a dotação. A pergunta que fica é: Ciety está mal-assessorada ou mal-influenciada nesse início de mandato?

INCONSEQUÊNCIA

O 2º secretário da Mesa Diretora, vereador Delermano Suim (Patriota), que afirma também representar o Distrito de Nestor Gomes, aderiu ao pacto da vingança e, paradoxalmente, excluiu do Orçamento de 2021 recursos certos para obras na região dos quilômetros: perfuração de poços, construção de escolas e unidades de saúde, calçamento de ruas, ampliação da rede elétrica, construção e ampliação da rede de esgoto em diversas localidades, como as Vilas de Nestor Gomes e Nova Aymorés, Cachoeira do Cravo e Córrego da Prata. Para ter uma ideia do equívoco nas prioridades de Delermano, na mais recente sessão da Câmara, ele fez indicação ao prefeito Daniel de uma área de lazer em Nova Aymorés.

Lailson da Aroeira (Solidariedade) aprovou o veto do prefeito Daniel às 70 emendas e, na contramão do que seria trabalho de um representante da periferia, retirou do Orçamento de 2021 recursos garantidos para obras de ampliação de escola, calçamento e construção de rede de esgoto nos bairros Aroeira, Colina, Bom Sucesso, Vila Nova e Vila Verde. Para se ter uma ideia da incoerência, atualmente ele corre atrás até de capina e limpeza nas ruas do Bairro Bom Sucesso e tem dificuldades. Mas se mantem no pacto da vingança!

De retorno ao Legislativo, Robertinho de Assis (PSB) ajudou a retirar do orçamento recursos para calçamento de rua na Pedra D’Água; quadra poliesportiva e reforma do campo de futebol do Bairro Jardim Eldorado; também barrou recursos de diversas ações e obras em Guriri, Mariricu, Ideal, Vila Nova, Porto, Avenida Cricaré e localidades da zona rural.

Robertinho tem contrariado a sua ligação com a área de saúde e também atuou para a exclusão de recursos definidos para construção de unidades de saúde e aquisição de ambulâncias para localidades da zona rural, e a retirada de R$ 300 mil para atendimento a gestantes e bebês no Hospital Maternidade São Mateus. Fiel a Daniel Santana no pacto da vingança, o ex-dirigente de grêmio estudantil excluiu recursos garantidos para construção do Ceim do Porto e da escola do Chiado, e reformas das escolas dos bairros Cricaré e Aroeira. Que mudança!

PARADOXO

Isael Rodrigues Aguilar (PSL), também de volta à Câmara Municipal, foi favorável à retirada de mais de R$ 2 milhões do Orçamento, prejudicando os moradores que o ajudaram a se eleger em Santa Maria, Itauninhas, Dilô Barbosa e São Geraldo. Eram recursos para construção de unidade de saúde, calçamento de ruas e áreas de lazer, além de apoio a agricultores. O calçamento da Rua Zoroastro Valeriano, em Santa Maria, por exemplo, já tinha definidos R$ 800 mil para ser executado este ano.

Por submissão a Daniel no pacto da vingança, Isael, que é conhecido por seu trabalho no Saae, participou da exclusão de recursos carimbados no Orçamento Municipal para a perfuração de poços artesianos e construção e ampliação de rede de esgoto em diversas localidades do Distrito de Nestor Gomes.

O presidente Paulo Fundão (PP), recentemente, indicou o calçamento de duas ruas no Bairro Aviação, sendo que, como um dos adeptos do pacto da vingança, ajudou a excluir R$ 1 milhão do Orçamento Municipal, que seriam para a construção da unidade de saúde e quatro ruas no mesmo bairro. E também atuou na retirada de recursos carimbados para obras nos bairros Sernamby, Guriri, Santo Antônio, Aroeira, Bom Sucesso, Pedra D’Água, Vila Nova, Vila Verde, além de localidades dos distritos de Nestor Gomes e Nova Verona.

Bom orador e afeito a apresentação de votos de congratulação, Paulo Fundão usa da tribuna em, praticamente, todas as sessões, mas jamais fez qualquer menção ao partido dele. Ao contrário, já dirigiu ataques velados a colegas de partido integrantes da composição passada da Câmara, inclusive ao ex-presidente. Pode significar uma mágoa político-partidária ou apenas o cumprimento de um item acordo com Daniel no pacto da vingança. Fica difícil saber. Ele prefere divagar nas expressões subliminares do juridiquês e, assim como o Prefeito, não dá entrevistas e não valoriza o profissionalismo na Comunicação Social.

NONSENSE

Carlinho Simião (Podemos), que também se aliou ao prefeito Daniel Santana, rejeitou recursos definidos para obras e ações nos bairros Aviação, Ideal, Sernamby, Vila Nova, Vila Verde, Bom Sucesso, Aroeira, Colina, Porto e Avenida Cricaré. O mais estranho na atuação dele é que ajudou a retirar R$ 500 mil para a construção do Centro de Vivência da Terceira Idade no Bairro Ideal. Mas, em recente indicação aprovada, pede a Daniel a mesma obra que estava prevista para a antiga quadra do Apolo, só que, agora, sem a dotação orçamentária, que foi excluída.

Em nome do pacto da vingança, Simião age no estilo nonsense também em relação à unidade de saúde do Bairro Aviação. Retirou a dotação orçamentária garantida de R$ 700 mil na adesão ao veto do prefeito; e, agora, de pires na mão, faz indicação a Daniel para a obra, que já está sem recursos previstos no Orçamento. Dá para entender, isso?

No primeiro mandato depois de ser eleito no palanque de Daniel, Adeci de Sena (Cidadania) também aderiu ao pacto da vingança e deu voto favorável ao veto que causou prejuízos de quase R$ 11 milhões ao Povo Mateense. Entre as 70 emendas eliminadas, não havia nenhuma diretamente ligada ao Distrito de Nativo de Barra Nova, mas nesse início de mandato, já se observa incoerências nas indicações dele.

Adeci, por exemplo, foi um dos responsáveis pela retirada de R$ 310 mil já carimbados do Orçamento de 2021 para o novo Cemitério de Nestor Gomes, com iluminação e calçamento da rua de acesso, reivindicação prioritária da comunidade local. Mas, recentemente, Adeci fez indicação ao prefeito Daniel para iluminação da rua de acesso e da lateral do Cemitério de Nativo de Barra Nova. É preciso entender: vai tirar de uma localidade e passar o benefício para a outra?

‘ENGODÃO’

Para marcar os 100 dias do segundo mandato do prefeito Daniel Santana, a Secretaria de Comunicação elaborou um vídeo que o sistema criminoso criador e propagador de fake news está compartilhando nas redes sociais e grupos de WhatsApp.

O vídeo, bem produzido pela mesma equipe que atuou na campanha eleitoral, mostra um resumo das atividades da Prefeitura nesses três meses. Ações obrigatórias da administração pública transformadas em políticas públicas da gestão Daniel.

Tudo jogo de cena, um ‘engodão’ como o que que deixou no chinelo as equipes de marketing dos nove candidatos adversários nas Eleições de 2020 e teve adesão de parte significativa do eleitorado mateense, embalado pela distribuição de cestas básicas em plena pandemia da covid-19. É sempre bom relembrar isso.

No vídeo, apresentação de número de vacinados contra a covid-19 em São Mateus como se a ação obrigatória fosse um favor ao Povo Mateense. Não menciona o baixo número testes para covid, não demonstrar empatia pelas famílias das quase 200 vítimas fatais, não menciona as decisões injustificáveis como desativação de equipes de covid-19 nas unidades de saúde e na US-3 (que agora voltou sob apelo do Governador), nem tem a prestação de contas da verba federal de cerca de R$ 19 milhões recebida pelo Município.

A Cidade segue com ruas esburacadas e cheias de mato; as licitações milionárias sem comunicação ao público continuam no embalo da covid; o sistema criminoso de fake news institucionalizada avança sobre novos alvos com apoio conquistado no Legislativo; políticos e lideranças partidárias que não voltaram a hibernar, em geral, canalizam energias na polarização político-ideológica nacional gastando as pontas dos dedos em comentários e compartilhamento de lixo digital nos grupos de zap-zap…

A paz na política local está selada no pacto da vingança?!

O ‘líder da união’ conquista o poder que sempre quis, com a visão social e de desenvolvimento semelhante ao das salamandras!

E o ‘comandante dos servis’ roda a cadeira nova sob olhar vigilante, ostentando autoridade tão efêmera quanto a duração do piscar de olhos de um distônico!

Em 100 dias de 2021, é possível concluir que ‘São Mateus não está de parabéns’!

CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA

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