ARTIGO – Band e Governo Bolsonaro

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Por Sérgio Solon Santos*

Os bastidores do Grupo Bandeirantes nos últimos meses tem sido palco de mudanças sutis para a percepção do público. Após a morte trágica de Ricardo Boechat foi dado o start em algumas modificações na conjuntura dentro do grupo.

Num primeiro momento o Grupo Bandeirantes promoveu uma pesquisa com ouvintes para saber que comunicadores do rádio seriam aceitos para substituir Boechat no horário de rede e no horário local no Rio de Janeiro. Nomes como Roberto Canázio, Marcus Aurélio e Sidney Rezende foram lembrados pelos pesquisados, figuras do rádio talk. Rodolfo Schneider e Eduardo Barão ganharam sobrevida na sombra da comoção deixada por Boechat.

É sabido que há uma ala importante de gestores que não possuem simpatia pelos nomes consagrados pelo antigo AM. Há predileção por novos nomes de jornalistas em detrimento a alguns tradicionais radialistas.

A Família Saad, que sempre atuou no setor do agronegócio, tem se esforçado para se alinhar ao Governo Bolsonaro. Fernando Mitre deu ordens expressas para serem feitas matérias positivas para tratar das queimadas da Amazônia, utilizando números oficiais do Estado.

Recentemente, Marcelo Madureira entrou em acordo com o grupo e foi desligado. A partipação na passeata contra o STF em Copacabana e as críticas ao presidente Bolsonaro o colocaram em rota de colisão com São Paulo. Madureira já havia ficado incomodado com o Andreazza, que chegou depois dele. Ambos trabalharam juntos na Jovem Pan e segundo colegas da JP, houve problema entre eles na época. Na avaliação dos que são responsáveis pelo artístico, Madureira tinha desempenho sofrível no rádio.

Carlos Andreazza é outro nome chamuscado pelas críticas que tem feito ao atual presidente. Por ordem da cúpula do Jornalismo da Band, Andreazza está restrito ao horário local e suas participações na programação nacional estão suspensas.O que se gerou foi uma distorção enorme, posto que o horário local passou a abordar temas nacionais apenas para Andreazza poder comentar, como foi o caso do Fundo Partidário, recentemente badalado no noticiário da BandNews FM.

Âncora do Jornal da Band, Fábio Pannuzio mentiu ao dizer que sua recente demissão não foi por causa de uma crítica feita ao governo. Não demorou dois dias para ter perdido o posto no telejornal mais nobre da emissora. Tudo depois de acusar o secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, de ser um “dedo-duro intrigante que só sabe pedir cabeças de jornalistas”. Panuzzio sai em clima de paz com a direção da Band, sendo que meses atrás foi sondado pelo canal CNN Brasil.

Recentemente, Rodolfo Schneider foi chamado para reunião de emergência em São Paulo. Ficou decidida uma mudança na direção-executiva de Jornalismo. Sai André Luiz Costa, entra Schneider a partir de 23 de setembro. Ficou combinado que Rodolfo vai se reportar diretamente a Fernando Mitre, diretor-geral de Jornalismo da casa. Para o público será dito que “a mudança visa implantar uma linguagem mais moderna e tecnológica no departamento”. Rodolfo se mudará para São Paulo, mas não deixará de comandar o noticiário matutino do Rio de Janeiro.

Há queixas de colegas sobre a falta de diálogo de editores, repórteres e demais profissionais com a atual chefia. A preocupação dos colegas é que cortes sejam feitos diante de um cenário de crise.

Marido de Mariana Ferrão, André Luiz Costa não deixa a Band. A partir da mesma data, passa a responder pela direção-geral de mídias digitais do Grupo Bandeirantes, num projeto que vem sendo chamado internamente de ‘Uma Só Band’, ideia inspirada no que vem sendo feito pela Globo, numa união de todos os veículos e plataformas do conglomerado.

*Sérgio Solon Santos é Jornalista e Radialista, Diretor do site Mídia de Verdade.

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