ARTIGO – Curvaturas anormais da coluna: escoliose

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POR GUSTAVO VIANA*

GUSTAVO VIANA, fisioterapeuta

A coluna vertebral trabalha como uma mola, proporcionando suporte firme e flexível. A coluna possui 33 vértebras, sendo 24 delas móveis. Esta mobilidade proporcionada pelas vértebras contribui para que ocorram os movimentos do tronco. Este conjunto de vértebras são divididas em quatro curvaturas que dão equilíbrio e força às cargas impostas à coluna.

A união de uma curvatura com a outra geralmente é o local de maior mobilidade e de maior vulnerabilidade à lesão. Estas junções são as regiões cervicotorácica, toracolombar e lombossacral

O tronco desempenha um importante papel na função dos membros superiores (braço, antebraço e mão) e inferiores (coxa, perna e pé), já que seu posicionamento pode alterar de forma significativa a função destes membros.

A escoliose é caracterizada pela presença de uma curvatura lateral que pode ser visível ou não, quando observada pela região posterior do corpo (costas) do portador deste transtorno da coluna. Um “C” ou um “S” pode ser constatado no momento da inspeção pelo fisioterapeuta ou pelo médico ortopedista. A curvatura em “C” é mais comum e menos complexa do que em “S”, pois afeta apenas dois segmentos da coluna. A região toracolombar é a mais afetada. Em contrapartida, a curvatura em “S” afeta todos os segmentos da coluna, ou seja, da cabeça ao bumbum.

A escoliose pode ser classificada em estrutural e não estrutural. Nas escolioses estruturais, as curvaturas têm origem devido à patologia de base, como um problema congênito ou adquirido, e geralmente é irreversível. Nas escolioses não estruturais, as curvaturas são decorrentes de uma manifestação secundária, como a discrepância dos membros inferiores devido aos encurtamentos musculares contínuos, que tracionam os tendões que por sua vez tensiona uma articulação, levando ao desequilíbrio articular. As curvaturas não estruturais são bem flexíveis e podem ser corrigidas com tratamento conservador.

O portador da escoliose geralmente tem o corpo assimétrico. Um ombro mais elevado do que o outro, uma escápula proeminente, desnível nas alturas dos mamilos e dos quadris. Nos estágios iniciais da escoliose as dores nas costas são leves. Com o aumento da angulação, os desvios no tórax podem aumentar levando a compressão de estruturas importantes e vitais como o coração e pulmão.  O teste de Adams é uma importante ferramenta utilizada para detectar a escoliose. A ação de flexão do tronco para frente e para baixo deixa visível a gibosidade no portador da escoliose. Contudo, o raio-x panorâmico dá a noção exata do grau de angulação do transtorno.

A causa da escoliose não estrutural ainda é idiopática, ou seja, desconhecida. Contudo, um desequilíbrio articular ou muscular pode sugerir seu aparecimento. Nas estruturais a causa é a patologia de base.

O tratamento geralmente é conservador para os dois tipos de escoliose. A fisioterapia, quiropraxia e RPG associados a medicamentos para o controle da dor geralmente são prescritos. Caso a escoliose tenha sua origem devido à doença de base, esta deve também ser tratada. Estudos recentes comprovaram que a obesidade pode levar a este transtorno da coluna. Algumas patologias do sistema nervoso como paralisia infantil, esclerose lateral amiotrófica, dentre outras, podem levar a uma escoliose irreversível e só o tratamento cirúrgico é indicado em alguns casos.

*Gustavo Viana é Graduado em Fisioterapia pela UNESA, Especialista em Acupuntura também UNESA, Especialista em Fisioterapia do Trabalho pela IBRA. Tem consultório próprio e atende há mais de 13 anos no domicílio. Foi Supervisor de Educação em Saúde do NCZ (Núcleo de Controle de Zoonoses) de São João da Barra-RJ  e tem experiencia na área de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde).

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