POR GUSTAVO VIANA*
A articulação do ombro é a que mais oferece amplitude e mobilidade dentre todas as articulações do corpo humano. Formado por três articulações, o complexo do ombro contribui nos movimentos da escápula, da clavícula e do braço. As articulações acromioclavicular e esternoclavicular contribuem um pouco mais nos movimentos da escápula, enquanto que a articulação glenoumeral mobiliza o braço.
Esta última articulação é do tipo sinovial e produz a maior amplitude de todas as articulações do nosso corpo. Por ser uma articulação em formato de bola e soquete e possuir o mínimo de contato entre elas, o complexo do ombro depende basicamente de estruturas ligamentares e musculares para ter estabilidade.
Por depender dessas poucas estruturas ao mesmo tempo em que se têm extensas e variadas amplitudes, o complexo do ombro fica facilmente suscetível à lesão. A subluxação (perda de contato temporária de uma articulação com a outra) do ombro é uma lesão bastante comum em esportes de contato como o futebol, por exemplo.
Nesse caso, uma ação mecânica intensa (queda ou contato físico temerário) faz com que a articulação do ombro se separe, gerando intensa dor. A subluxação também pode ocorrer em pacientes portadores de hemiparesia pós acidente vascular cerebral. O infarto cerebral decorrente do AVC produz fraqueza do tônus muscular em um dos lados do
corpo.
A hemiplegia (paralisia) e a hemiparesia (fraqueza) apresentam-se no corpo humano inversamente ao local da lesão cerebral. A paralisia de um dos lados do corpo passa, na maioria das vezes, por três fases. A primeira denominada fase flácida que se inicia logo após o acidente vascular, podendo durar dias, meses ou anos. Há, ainda, uma fase intermediária onde ocorre o aumento do tônus muscular mesmo de forma vagarosa.
A terceira e última fase é conhecida como espástica, e tem como característica principal o tônus muscular aumentado nos músculos flexores do membro superior afetado e nos
músculos extensores do membro inferior também afetado. Os profissionais da saúde, assim como os familiares, devem se atentar com a pegada no paciente portador da hemiparesia, principalmente na fase flácida e intermediária.

Nestas fases, todo o tecido mole (ligamentos e tendões) do complexo do ombro estão fracos, gerando pouco suporte à cabeça umeral facilitando assim, a ocorrência da subluxação. O membro superior afetado deve ser protegido mesmo nas mudanças de decúbito, assim como nas transferências de posições do paciente hemiparético.
Contudo, a mobilização da articulação do ombro é fundamental para que não ocorram aderências. As mobilizações executadas pelo fisioterapeuta devem ser de baixa amplitude, sem atingir em momento algum os 90º de abdução e flexão do membro
superior afetado.
A subluxação neste tipo de paciente torna-se frequente nesse grau de amplitude. A proteção e a mobilização desta articulação são fundamentais em todas as fases pelas quais passa o paciente acometido pelo acidente vascular cerebral. Vale lembrar que o cuidado pode sair bem mais barato do que o reparo.
-Articulações sinoviais são articulações compostas por cartilagem que revestem as extremidades ósseas, ligamentos, cápsula articular e principalmente líquido sinovial.
-Articulação em bola e soquete é um tipo de articulação caracterizada por uma estrutura convexa (esférica) com encaixe em uma estrutura côncava. Possui ampla mobilidade.
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*GUSTAVO VIANA é Graduado em Fisioterapia pela UNESA, Especialista em Acupuntura também UNESA, Especialista em Fisioterapia do Trabalho pela IBRA. Tem consultório próprio e atende há mais de 13 anos em domicílio. Foi Supervisor de Educação em Saúde do Núcleo de Controle de Zoonoses-NCZ de São João da Barra-RJ e tem experiência na área de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde).
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