Boatos da internet: fake news que matam

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Por Eduardo Pinheiro*

Em época de informação viajando em tempo real pelos quatro cantos do mundo o fenômeno das Fakes News (notícias falsas) tem preocupado e cada vez mais causado impactos negativos, de variadas proporções, em nossa sociedade.

Essas notícias são criadas por pessoas com os mais variados objetivos, podendo ser por questões políticas/ideológicas, interesse próprio em ver sua “criação” tornar-se viral, produzir algum tipo de pânico ou histeria coletiva, entre tantos outros.

Os boatos apelam para o emocional do leitor e fazem com que as pessoas consumam e compartilhem a notícia sem antes confirmarem se é verídico ou não o seu conteúdo, podendo ter como consequência reflexos sociais, econômicos ou pessoais e, inclusive causar tragédias, dependendo do teor da matéria.

No mês passado, um boato criado aqui no Estado, no município de Anchieta, levou uma mulher de 47 anos a ter um infarto após receber a informação falsa da ocorrência de um massacre na escola em que um dos seus filhos estudava. Infelizmente a mulher não resistiu e morreu. A notícia foi divulgada em grupos de WhatsApp.

Outro caso grave ocorreu em 2014, quando uma mulher de 33 anos foi acusada de praticar magia negra com crianças no Guarujá, em São Paulo. Após o boato se espalhar nas redes sociais a mulher foi agredida na rua por populares e também faleceu.

Não são poucos os relatos de notícias falsas que de alguma forma provocam graves impactos em coisas, empresas ou pessoas. Salientando que o autor do boato e até mesmo quem o compartilha pode responder criminalmente em decorrência dos fatos que venham a ocorrer.

Portanto, as pessoas precisam entender que a Internet tem a capacidade assustadora e enorme de repercutir qualquer que seja a informação, procedente ou não. Assim sendo, qualquer notícia no mundo digital precisa ser encarada com cautela, pois pode ser verdadeira, mas também pode não passar de um mero boato.

Para piorar a situação, os boatos virtuais estão cada vez mais ricos em detalhes sobre fatos e pessoas, o que leva muita gente a acreditar que a informação difundida é realmente verídica.

Por esse motivo, a orientação que sempre fornecemos é que não se deve acreditar em tudo o que é divulgado no mundo digital, pois o conteúdo da informação transmitida pode não passar de boato, originado de alguém com intenção de tornar o seu boato um viral.

Por outro lado, não devemos descartar completamente a possibilidade da informação transmitida ser realmente um alerta de uma situação real, assim, fica mais uma vez evidenciado o importante papel da utilização da tecnologia da informação para fazer alertas, pois ainda que o fato não seja verdadeiro, de certa forma, acaba colaborando no aspecto preventivo de situações de risco.

Quando chega até alguém uma informação desse tipo, sendo ou não verdadeira, a pessoa já começa a acreditar na possibilidade daquele evento realmente ocorrer, e assim já cria um mecanismo de alerta que irá ajudar na sua própria prevenção, bem como das demais pessoas ao seu redor.

Enfim, precisamos desligar o botãozinho do compartilhamento automático de tudo que recebemos no ambiente digital. Na era da Internet é fundamental o comportamento cauteloso, e por uma questão de ética e de responsabilidade social é preciso sempre buscar a confirmação de uma notícia em um canal de comunicação idôneo e de credibilidade.

Assim não correremos o risco de contribuirmos com tragédias no nosso dia a dia. Lembrando sempre o que a vovó dizia: “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”.

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Eduardo Pinheiro é consultor de Tecnologia da Informação e autor do livro ‘Como Aumentar Sua Segurança no Mundo Digital’. Publicado originalmente pelo Tribuna Online.

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