
POR LÉO CUNHA*
O Vitória F.C. está prestes a carimbar o passaporte para mais uma final do Capixabão. O jogo que decidirá um dos finalistas será contra o Porto Vitória, no próximo domingo (23/03), às 16h, no Estádio Salvador Venâncio da Costa, na capital do Espírito Santo.
Como venceu o jogo de ida das semifinais por 1 a 0, o time fica a um empate de conquistar a vaga. O técnico Rafael Soriano, responsável pela ascensão do Vitória no Capixabão 2025, concedeu uma entrevista ao CENSURA ZERO, falando sobre o futebol capixaba e o Vitória.
CENSURA ZERO – Quem é Rafael Soriano, pelo próprio Rafael?
RAFAEL SORIANO – Rafael Soriano é um profissional de 39 anos, com 18 deles já comandando equipes profissionais. Um cara que deve muito ao futebol, que reconhece que, através do futebol, fez vários amigos, conheceu vários estados e trabalhou em 15 clubes diferentes. Um profissional apaixonado pelo que faz, que busca diariamente se aperfeiçoar e se aprimorar. Ele preza pelo bom ambiente de trabalho e é apaixonado pela família, pela sua futura esposa, pela seu filho que está prestes a nascer. Ele encontra sua felicidade em boa parte quando está com os seus e, principalmente, quando está dentro das quatro linhas fazendo aquilo que ama.
CZ – Na sua chegada ao Vitória, você disse que “as expectativas eram muito grandes”. Superou as expectativas?
RAFAEL SORIANO – Tínhamos consciência de onde o Vitória FC podia chegar, considerando as expectativas. Eu também havia dito que o Vitória FC brigaria na parte superior da tabela, mesmo estando, naquele momento, na zona de rebaixamento. No entanto, as expectativas eram grandes justamente pela qualidade que vimos no elenco, pela organização do clube, pela estrutura oferecida e pelos profissionais envolvidos no projeto. Nossa convicção era de que o Vitória FC poderia chegar ao ponto em que estamos agora, e as expectativas ainda não foram plenamente alcançadas. Sabemos que ainda podemos ir além, com muito respeito aos adversários e humildade, mas nosso objetivo é lutar pelo título.

CZ – Você esteve no Campeonato Paraibano. Com o seu retorno ao futebol capixaba, há alguma diferença?
RAFAEL SORIANO – Existe algumas semelhanças, né? Assim como no futebol capixaba, o futebol paraibano também tem equipes de camisa que já desfilaram em competições nacionais, como o Brasileiro da Série A. Embora existam semelhanças, há uma diferença de características, até mesmo por questões culturais. O futebol paraibano é um futebol mais físico, que prioriza a força, enquanto o futebol capixaba, por estar localizado na região Sudeste, tende a priorizar a técnica, com jogadores mais ágeis. Vamos dizer que a questão técnica exige essa diferença de características.
CZ – O fato de jogar em casa, estádio Salvador Venâncio da Costa, vai mudar as características do Vitória?
RAFAEL SORIANO – O Vitória FC é uma equipe que, desde a minha chegada, eu disse aos jogadores que teríamos um DNA próprio. Uma forma única de jogar, independentemente do adversário ou do local do jogo, seja dentro ou fora de casa. Devido às características do elenco, o Vitória FC é uma equipe que propõe o jogo, buscando um futebol ofensivo, com jogadores apoiando, posse de bola, aproveitando as características dos próprios jogadores no elenco. Portanto, o fato de jogar em casa não altera essa questão tática principal da equipe.
CZ – O futebol capixaba está na Série D do Campeonato Brasileiro. O que precisa fazer para avançar de fase?
RAFAEL SORIANO – Eu vejo que o futebol vem passando por uma evolução, principalmente em termos de estrutura e investimentos nos últimos anos. Se olharmos para o futebol capixaba de cinco anos atrás, podemos ver que foram dados passos largos em termos de investimentos e organização, não apenas pela Federação, mas também por boa parte dos clubes. Com a chegada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), hoje vemos equipes praticamente todas elas honrando seus compromissos com uma certa estrutura. Eu acredito que, se olharmos cinco anos para frente, teremos ainda mais avanços. Então, eu acho que é apenas uma questão de tempo até que o futebol capixaba atinja um novo patamar. Fatalmente, teremos uma ou mais equipes brigando não apenas por vagas nas próximas fases, mas também figurando em Série C ou B, até chegar à Série A”.

CZ – O que dizer ao torcedor Águia Azul nesse momento decisivo?
RAFAEL SORIANO – Ao torcedor alvianil, reafirmamos a importância que eles têm tido neste momento de recuperação do clube dentro da competição. Neste momento positivo que o clube vive, eles foram fundamentais até aqui e queremos ressaltar a importância do seu apoio neste jogo de volta, agora na semifinal, um momento importante para o clube. Que eles possam lotar o Estádio Salvador Venâncio da Costa e criar essa sinergia junto com o elenco. Criar um ambiente próprio, um caldeirão, como costumamos falar no futebol. Para que possamos ter uma grande festa lá e ajudar a nos empurrar para fazer um grande jogo e, se Deus quiser, conquistar um grande resultado e carimbar nossa classificação para a final da competição, que é nosso grande objetivo.
CZ – Na Copa do Brasil, o Rio Branco de Venda Nova-ES foi goleado pelo Vila Nova-GO por 6 a 0. Qual é o segredo para evitar um vexame?
Acredito que tenha sido uma fatalidade que dificilmente volta a acontecer, pois foram situações atípicas que ocorreram. O time sofreu um gol muito rápido, teve um jogador expulso e, mesmo assim, conseguiu segurar o resultado adverso, ainda que por pouco, no primeiro tempo. Depois de tomar o segundo gol, no segundo tempo, a situação começou a se complicar. Existe uma grande diferença, uma disparidade significativa, em termos de estrutura e investimentos. O Vila Nova-GO é uma equipe que figura nas divisões superiores do cenário nacional, então a questão da disparidade técnica e de investimentos é evidente. No entanto, eu creio que foi mais uma fatalidade que ocorreu devido a situações atípicas do jogo, que dificilmente voltam a acontecer.

CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA | *LÉO CUNHA É DESPORTISTA, COLABORADOR DO CZ
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