EDITORIAL – Saae e Cesan: aliado de Rose, prefeito Daniel pode obter de Casagrande o que fracassou com Hartung e Colnago

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Que a solução definitiva sobre o abastecimento de água e o tratamento de esgoto em São Mateus é uma medida que não pode mais ser protelada todos reconhecem! Assim como agradecem a trégua que a Natureza tem dado para que, pelo esforço conjunto e pela vontade das autoridades, a decisão seja tomada enquanto não ocorre mais um período de estiagem e o consequente fenômeno de salinização das águas do Rio Cricaré, de onde é captada a água bruta que, depois de tratada, abastece a Cidade.

Eis que surge agora uma proposta que pode colocar um ponto final na constante preocupação dos moradores, mas é intrigante, porque mexe com os mais diversos interesses –sociais, econômicos, estruturais, administrativos, empresariais, estatais, sindicais, ambientais e políticos: a assinatura de convênio entre a Prefeitura de São Mateus e o Governo do Estado, por meio da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan), para a concessão do serviço público de abastecimento de água e tratamento de esgoto, hoje a cargo do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), uma autarquia municipal.

Na linguagem popular, a proposta é de concessão do Saae à Cesan, que está sendo apresentada pelo atual Governo do Estado muito em função da urgência de selar o acordo antes da vigência do novo Marco Regulatório do Saneamento, em tramitação no Congresso Nacional. Ao mesmo tempo, está sendo revisado, em São Mateus, o Plano Municipal de Saneamento Básico. E é aí que entram interesses técnicos e políticos (ligados, interligados e cruzados), cercados de muita responsabilidade e alguma curiosidade!

É de conhecimento público que o atual prefeito de São Mateus, Daniel Santana (PSDB), elegeu-se por conta da situação calamitosa da água salinizada e a busca desesperada da população por água potável, especialmente nos anos de 2015 e 2016, diante da incapacidade do gestor anterior, Amadeu Boroto (PSB), em resolver o problema após oito anos na Prefeitura.

Ao assumir, com a proposta de resolver o problema, Daniel buscou de forma paliativa o apoio da ‘madrinha’ Rose de Freitas (ainda no MDB e atualmente no Podemos) e confiou que a solução definitiva viria do ‘padrinho’, o então vice-governador César Colnago (PSDB), que foi nomeado ‘interventor de São Mateus para a questão’ pelo então governador Paulo Hartung (ex-MDB e atualmente sem partido).

Rose correspondeu e liberou recursos para a perfuração de poços artesianos. Ao contrário de Amadeu –que bateu cabeça, junto com a direção do Saae na época, cavucando todo o asfalto da Avenida Cricaré, gastando dinheiro público de forma ineficaz –, Daniel atendeu à voz das comunidades para que os poços ficassem nos bairros e não nas proximidades da estação de captação de água bruta do Saae.

Já César Colnago, em 2017, veio empoderado a São Mateus –como vice-governador e até como governador em exercício –, acompanhado do então senador Ricardo Ferraço, do ex-deputado estadual Gildevan Fernandes (então líder de PH na Assembleia Legislativa) e Paulo Roberto Ferreira (então secretário-chefe do Gabinete do Governador). Isso mesmo! Trouxeram o crachá de Hartung e até as chaves do Palácio Anchieta para fazer ecoar em São Mateus que o Governo do Estado, por meio da Cesan, queria investir recursos para resolver a problemática da água! Normalmente de oratória vacilante, Colnago chegou a se entusiasmar e fazer um discurso empolgado no (hoje abandonado) salão de reuniões da Prefeitura de São Mateus!

Mas não deu em nada! Colnago e companhia não tiveram habilidade para envolver todos os vereadores nos debates e o prefeito Daniel Santana esbarrou na conhecida incapacidade de articulação política, enviando um projeto desleixado sobre a questão da água para a Câmara de São Mateus, que recebeu críticas até de parlamentares aliados. O Legislativo devolveu a proposta, “solicitando ajustes”.  

A situação teve reflexos no ano eleitoral de 2018. Rose de Freitas recuou do possível embate direto com Hartung na disputa ao Governo do Estado, mudou de partido e foi acolhida pelo ‘afilhado’ Daniel Santana em São Mateus. Ajudou quase nada diante do favoritismo de Casagrande em todo o Espírito Santo!

Com ações frustradas como a de São Mateus se repetindo em outras regiões do Estado e coautor da ‘cartilha trava-obras de PH’, César Colnago foi reduzido à briga voraz por uma vaga à Câmara Federal. O apoio de Daniel ao ‘padrinho’ não passou de poucos vídeos de qualidade ruim gravados em redes sociais.

Todos que estavam naquela aclamada “reunião histórica” na Prefeitura de São Mateus não se reelegeram! Quem voltou às urnas foi reprovado pelo eleitor –inclusive na Rainha do Cricaré! O discurso político da água que elegeu Daniel esbarrou na falta de competência, até aqui, para articular os esforços conjuntos necessários para adotar medida que traga uma solução definitiva.  

Agora, a gestão estadual está em novos rumos! A esperança da Comunidade Mateense sobre a questão também está renovada! E a iniciativa de ajudar São Mateus é de Renato Casagrande, cumprindo a responsabilidade do Governo do Estado de ter atuação mais efetiva na busca da solução para o abastecimento de água e o tratamento de esgoto no Município. A proposta apresentada pela Cesan é concreta, supera (e muito) todos os passos da antiga administração estadual na busca de uma parceria!

Cassado em segunda instância por crime eleitoral, Daniel Santana mantém-se no cargo por força de liminar e sua gestão é avaliada popularmente como “a pior da história de São Mateus na qualidade da prestação de serviços públicos”. Mas Casagrande deu ao Prefeito o respaldo de que ele precisava para enviar novo projeto à apreciação dos Vereadores, buscando cumprir sua principal promessa de campanha: “a solução definitiva para o problema da água em São Mateus”!

A Prefeitura de São Mateus convocou duas audiências públicas para debater o assunto. O público foi, mas o Prefeito não estava presente. Na terceira, convocada sem divulgação adequada e realizada numa segunda-feira pelo Ministério Público Estadual, Daniel até foi, mas faltou público. Serviu para destacar a preocupação do MPE com o assunto, que é prioridade nas rodas de conversas em toda a Cidade, e colocar mais pressão sobre os Vereadores. O Ministério Público Federal também acompanha a situação de perto e foi atendido na sugestão de um grupo de trabalho que analisa a proposta da Cesan e até uma possível recuperação do Saae como autarquia municipal.

A Câmara Municipal já informou que a proposta entra na pauta da sessão ordinária da próxima terça-feira (10/09), às 18h. A expectativa é de que seja a principal sessão da atual Legislatura até aqui, pois tratará de uma decisão que vai repercutir de forma direta no dia a dia dos cidadãos mateenses, nesta e nas futuras gerações.

Sem dúvida, é uma oportunidade especial! E, assim como estarão presentes a Direção do Saae e a Diretoria da Cesan, caberia ao prefeito Daniel Santana participar. Por três motivos específicos: melhorar a articulação político-institucional com o Legislativo, reencontrar-se com a Comunidade Mateense e valorizar o trabalho e a responsabilidade dos Vereadores!

CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO!

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