EDITORIAL – Sem ações públicas eficazes e fiscalização frouxa, São Mateus registra disparada do número de covid-19

O número de casos confirmados do novo coronavírus (covid-19) avança em São Mateus, no mesmo ritmo da ineficácia das ações públicas para conter aglomeração, já que, por conta da liberação de grande parte do comércio e do relaxamento das pessoas, o índice de isolamento social é muito baixo.

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, confirmou 11 novos casos nesta quarta-feira (13/05), fazendo subir para 76 o registro de doentes. O Município já tem 389 casos notificados, sendo que 189 são suspeitos. Até aqui, 124 casos foram descartados depois dos exames; há o registro de 35 pacientes curados e de 2 óbitos.

É preocupante também o número de profissionais de saúde que estão sendo confirmados com a covid-19. Dos 11 novos casos, cinco são referentes à categoria que atua arduamente no enfrentamento à pandemia. Quatro são mulheres com idades de 24 (duas), 28 e 49 anos; e um homem, de 35 anos.

Outro aspecto é que, ao contrário da Grande Vitória, por exemplo, a maioria dos 76 casos de novo coronavírus em São Mateus (43) é referente a pacientes com idades até 39 anos. Há 23 casos na faixa de 40 a 59 anos; e apenas 10 entre idosos na faixa etária acima dos 60 anos, que é classificada como grupo de risco.

O grande problema é que a gestão do prefeito Daniel Santana está desarticulada internamente. Foi montado um ‘Plano Municipal de Enfrentamento e Controle da Covid-19’, que não não funciona na prática. Há muitos acúmulos de cargos no secretariado, o que dificulta a definição de ações estratégicas e eficazes. Não se identifica um Gabinete de Crise atuante. Um exemplo negativo é que o Secretário de Agricultura também responde atualmente pela Secretaria de Obras, Infraestrutura e Transporte, duas pastas de fundamental importância na efetividade de medidas práticas e mobilizadoras.

A Secretaria de Defesa Social, a quem caberia ações robustas num momento como o que enfrentamos, também está sem titular. Está sob a batuta interina do Secretário de Governo, que cuida mais de ações burocráticas da gestão. A decisão sobre as tendas armadas no Centro de São Mateus na tentativa de organizar as filas que se formaram na Caixa, para recebimento do auxílio emergencial, é um caso típico de ‘decisão de orelhada’. A medida foi bastante criticada pela falta de transparência no contrato emergencial; e, também por se mostrar ineficaz, as tendas foram retiradas. Chegou a servir para abrigo de mercadorias dos ambulantes em um fim de semana…

A Secretaria de Assistência Social tenta fazer sua parte, com relação ao atendimento às famílias mais carentes. Mas esbarra na burocracia e nos critérios rígidos para a distribuição de cestas básicas, ao mesmo tempo em que flexibiliza diante de ingerências suspeitas. Inúmeros apelos já foram feitos pessoalmente, pelas redes sociais e até por meio da Imprensa, inclusive pelo CENSURA ZERO. Mas a gestão Daniel Santana, que já se mostrou insensível em outras situações, mantém a regularidade nesse quesito também diante da situação de calamidade pública por conta da pandemia do coronavírus. De cerca de 27 mil cestas básicas adquiridas, não chegaram a 20 mil atendimentos, deixando muitas famílias com crianças, idosos, pessoas com deficiência física e desempregados sem a assistência da Prefeitura de São Mateus.

As barreiras sanitárias têm sido as melhores ações registradas pelo poder público municipal, junto com a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPIs) para profissionais de saúde e máscaras para distribuição nas unidades de saúde. Mas poderia ser intensificada a desinfecção de locais públicos. E pedidos não faltam nesse sentido. As orientações da Secretaria de Saúde precisam ser mais efetivas diante de um sistema público municipal com atendimento sofrível.

E o CENSURA ZERO também já mostrou que o atendimento é desarticulado entre rede municipal de saúde, hospitais participares e Hospital Roberto Silvares. Até 15 dias atrás, pacientes com sintomas da covid-19 eram orientados a voltar para casa e aguardar até o momento que apresentassem febre alta. E muitos contaminados desse tempo podem ser os casos que estão explodindo agora…

A Secretaria Municipal de Educação busca manter as atividades escolares com o programa Todos em Casa pela Educação, com materiais para os alunos do ensino fundamental. Mas as preocupações das famílias dificultam a adesão às ferramentas pedagógicas básicas, feitas em caráter emergencial. Dois meses e meio depois da suspensão das aulas, a Secretaria de Educação implanta o Programa Merenda em Casa, semelhante ao que Linhares fez no início do enfrentamento, concluído na primeira quinzena de abril.

Claro que a medida é importante, especialmente para garantir mais alimentos na mesa de famílias que convivem com dificuldade de trabalho e renda. O momento é que não é nada favorável para retirar de casa pais e mães de cerca de 18 mil estudantes, aumentando a circulação nas ruas quando os números de casos confirmados da covid-19 aumentam de forma preocupante.

A determinação para o uso obrigatório de máscaras de proteção aos mateenses para sair às ruas e usar o transporte coletivo ainda carece de fiscalização. No comércio, vemos lojistas empenhados na conscientização. Mas nos bairros afastados, há ocorrência de bares funcionando quase que normalmente, com a utilização de cadeiras nas calçadas e frequentadores em papo descontraído sem dar a mínima para máscaras. Fotos registraram um Secretário Municipal realizando reunião na zona rural com participantes sem o uso de máscaras e sem obedecer o distanciamento social.

Os casos de covid-19 foram confirmados em moradores de 27 bairros e localidades diferentes de São Mateus. Não que todos tenham sido, necessariamente, os locais de contaminação, mas, de alguma forma, os contatos vão se estabelecendo à medida que os cuidados diminuem. E vamos fazer o quê? Ficar de braços cruzados, observando o vírus tomar conta da Cidade e seus moradores?

A Prefeitura de São Mateus propaga o isolamento social como “principal medida” contra a transmissão do novo coronavírus. Porém, de forma incoerente, nas artes que contabilizam o número crescente diário de casos da covid-19, a frouxidão das orientações fica evidente. O que já foi uma determinação firme por decreto, agora é um pedido: “SE PUDER, FIQUE EM CASA!”.

Não está dando certo! Está na cara que a gestão Daniel Santana precisa adotar medidas mais eficazes, sob pena de perdermos etapas importantes dessa já árdua “luta pela preservação da vida”!

CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA

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