
O governador Renato Casagrande (PSB) anunciou que vai renunciar ao cargo no mês de abril para ser candidato a uma das duas vagas em disputa no Senado pelo Espírito Santo, nas Eleições 2026. Casagrande vive um momento conturbado com o pedido de investigação contra ele feito pela Polícia Federal por ligação suspeita com o desembargador federal Macário Júdice Neto, que está preso preventivamente no Rio de Janeiro.
O anúncio do governador foi feito em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (2/03) no Palácio Anchieta. O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) assumirá o cargo de governador, em mandato que vai terminar no início de janeiro. Segundo Casagrande, a transição será feita durante o mês de março.
“Faço isso com muita tranquilidade, com muita segurança, porque quem vai assumir o governo será Ricardo Ferraço, nosso vice-governador. Então, neste mês de março, a gente faz toda a transição para a gente não perder intensidade, velocidade e realizações do governo”, firmou o governador.
Ferraço é o pré-candidato do governo Casagrande ao Palácio Anchieta. Caso ele ganhe as eleições de outubro, será eleito para um segundo mandato seguido no cargo de governador e não poderá buscar a reeleição em 2030.
Elogios a Ricardo
Durante o anúncio, Casagrande fez elogios a Ferraço e falou sobre o compromisso do vice-governador em dar continuidade às políticas do governo atual.
“Ricardo, primeiro, é trabalhador, não tem medo das tarefas e dos desafios. Conhece a máquina pública e não recai sobre ele nenhuma denúncia e nenhum fato que possa desabonar a sua correção. Conhece o Estado e tem o compromisso de dar sequência a todo o trabalho que nós estamos fazendo”, defendeu o chefe do executivo estadual.
O prazo de desincompatibilização para as eleições de 2026 vai até o dia 4 de abril.
Pedido de investigação
A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra o governador Renato Casagrande (PSB), por causa de suposta troca de favores com suspeita criminosa com o desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que está preso.
Segundo a PF, foram identificadas, em outra investigação, conversas no celular do desembargador que poderiam indicar uma troca de favores criminosa entre os dois, envolvendo processo do então prefeito de Montanha, André Sampaio (PSB), que tramitava no TRF-2.
A medida foi um desdobramento das apurações da PF sobre a atuação de Macário Júdice Neto no Rio de Janeiro, sede do TRF-2. Ele está preso preventivamente sob suspeita de vazar informações de investigação ao presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).
Em vídeo publicado nas redes sociais, o governador Casagrande afirma que o diálogo mantido com o magistrado era “institucional e republicano”. Procurado, o advogado Fernando Fernandes, que representa Macário, não retorno à solicitação para manifestação.
Inquérito da Polícia Civil
Nessa segunda-feira (2/03), a Folha de S.Paulo traz mais uma revelação envolvendo o Chefe do Executivo do Espírito Santo. Casagrande exonerou no fim do ano passado um dos delegados responsáveis por uma investigação da Polícia Civil que identificou atividades consideradas suspeitas de Macário Júdice no Estado.
Reportagem especial reproduzida por outros veículos de comunicação nacionais destaca também que outros agentes envolvidos na apuração da Polícia Civil também foram deslocados pela corporação. As trocas ocorreram logo após a confecção do relatório final de inquérito com o indiciamento de um empresário cujo telefone continha conversas supostamente irregulares com o desembargador Macário Júdice Neto.
O secretário de Segurança do Espírito Santo, Leonardo Damasceno, afirmou que nem ele nem o governador têm conhecimento da existência de diálogos envolvendo o magistrado. Disse também que as exonerações ocorreram por desgaste de parte da equipe que atuou no inquérito com o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
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