Jornalistas recebem ameaça de morte após reportagem sobre atividade ilegal durante pandemia da covid-19

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Uma equipe de profissionais do BHAZ, portal de Minas Gerais, foi ameaçada após a publicação de uma reportagem que denunciou atividade ilegal durante o distanciamento social imposto pela Prefeitura de Belo Horizonte e pelo Governo de Minas Gerais por conta do enfrentamento à pandemia da covid-19. A intimidação ocorreu na mesma semana em que um tapume na região central da capital mineira amanheceu com ameaças de morte contra jornalistas.

A reportagem “Mesmo na lista de bairros mais afetados por Covid-19, Buritis tem aglomeração em ‘pelada’ particular”, publicada na sexta-feira (15/05), denunciou a realização de atividades na quadra FT5 Beach Sports, no bairro da região oeste da capital.

De acordo com o portal, grupos se revezaram, durante a tarde e parte da noite, em partidas de futevôlei. A atividade é expressamente proibida por decretos da Prefeitura de Belo Horizonte e também do Governo de Minas, cujo programa prevê que esse tipo de atividade faz parte de “setores que só poderão ser retomados quando houver controle da pandemia”.

Na capital mineira, esse tipo de aglomeração é proibido até mesmo em residências. “Os condomínios edilícios deverão suspender a realização de festas em áreas comuns de lazer ou de recreação e regulamentar a utilização destas áreas, bem como prever penalidades aos condôminos pelo descumprimento das regras”, diz o Decreto 17.351, do dia 4 deste mês.

‘VAMOS TE F**’

Poucos minutos após a publicação da reportagem, às 20h25 dessa sexta-feira (15/05), o repórter Vitor Fórneas, autor da matéria, recebeu ameaças em sua conta pessoal no Instagram.

“Amigão, tô sabendo que você tá publicando aí negócio da quadra dos outros. Aqui, você tá doido? Quem você acha que é?”, começa a dizer, por mensagem de voz, Rafael Werneck, dono do perfil @werneck95.

“Pode parar com essa história de ficar f** os outros. Você está achando que é quem? A gente te acha. Filho da p**, vamos te f**, viu?! Para de ficar f** os outros. Você não é ninguém não, sô”, continua Wernerck.

OUÇA A ÍNTEGRA DO ÁUDIO DA AMEAÇA AO JORNALISTA:

POLÍCIAS CIVIL E MILITAR

É a segunda agressão explícita ao trabalho da Imprensa e à democracia feita nesta semana em Belo Horizonte. Na quinta-feira (14/05), um tapume foi pichado com ameaças de morte. “Jornalista bom é morto” e “mate um jornalista por dia” foram alguns dos dizeres.

Tanto no caso do tapume, quanto em relação à ameaça sofrida pela reportagem do BHAZ, a Polícia Civil não só repudiou as ações como afirma investigá-las. “A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que vai instaurar procedimento para apurar o caso, assim que o ofendido registrar o boletim de ocorrência, pois o crime de ameaça depende de representação da vítima”, diz, em trecho de nota.

A ocorrência será registrada por Vitor Fórneas logo no primeiro horário possível na segunda-feira (18/05). “A PCMG esclarece, ainda, que repudia toda e qualquer forma de ameaça contra a pessoa e contra a democracia. Ameaçar jornalistas é atentar contra a democracia. A Polícia Civil atua constantemente no combate a esse tipo de crime”, complementa a instituição.

A Polícia Militar também se manifestou firmemente contra as intimidações sofridas por Fórneas. “Não coadunamos com qualquer tipo de ação que fira o estado democrático de direito e atente contra uma imprensa livre e que busque, através de suas declarações, a verdade. Nós, da Polícia Militar de Minas Gerais, não admitimos qualquer tipo de ação intolerante e primamos pelo respaldo legal e decidido pela população, o que faz com que nós sigamos as regras do estado democrático de direito”, diz o porta-voz da corporação, major Flavio Santiago.

SINDICATO DOS JORNALISTAS

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, por sua vez, acionará o Ministério Público mineiro, além da própria Polícia Civil.

“Esses ataques a jornalistas crescem, infelizmente, cada dia mais e principalmente nessa pandemia. As pessoas, às vezes, estão achando que a culpa da pandemia e do confinamento é do jornalista. Estamos somente fazendo nosso papel, informar a população sobre a pandemia e também informar a população das pessoas que descumprem as regras da pandemia”, afirma a presidente do sindicato, Alessandra Mello.

“Não vamos mais soltar nota de repúdio, vamos agir. Gravar tudo e denunciar, tomar uma providência efetiva. As instituições republicanas, da nossa democracia, têm que se unir. Nessa escalada, não vai demorar a hora em que um achaque desses, uma ameaça dessas, uma tentativa de intimidação dessas sair das redes sociais e virar verdade. Temos que coibir antes”, complementa.

Até mesmo o proprietário do estabelecimento criticou a intimidação. “Em nome da FT5 Beach Sports, repudiamos qualquer tipo de ameaça e a liberdade de imprensa tem que ser mantida. O autor das ameaças não tem vínculo algum conosco, não é cliente da quadra e nosso estabelecimento não tem nada a ver com a ameaça”, diz Marcelo Paiva, dono da quadra.

POSICIONAMENTO DO BHAZ

O BHAZ repudia as ofensas feitas ao repórter Vitor Fórneas e apoiará o profissional adotando medidas cabíveis diante da ameaça claramente expressa por Rafael Werneck, dono do perfil @werneck95 na rede social Instagram.

A matéria “Mesmo na lista de bairros mais afetados por Covid-19, Buritis tem aglomeração em ‘pelada’ particular” – citada na mensagem de áudio enviada ao jornalista – cumpre o papel essencial de tornar pública uma informação relevante para a sociedade na atualidade.

Mesmo diante de todas as orientações divulgadas por autoridades, como a Organização Mundial de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, parte da população insiste em manter uma rotina de lazer inadequada e displicente em meio à pandemia da Covid-19, na qual todos convivem com restrições impostas para evitar colapsos em hospitais como já vistos em diversos países e outras cidades brasileiras.

Essas atitudes colocam em risco, principalmente, pessoas que precisam sair de casa obrigatoriamente para trabalhar ou ter acesso a serviços essenciais. Tratam-se de aglomerações que levam temor a comunidades locais, o que acarreta a denúncia de moradores, especialmente quando envolve um estabelecimento comercial que deve estar de portas fechadas, como estabelece o Decreto nº 17.297, de 17 de março de 2020, da Prefeitura de Belo Horizonte.

Enquanto as autoridades públicas estiverem implementando ações para manter o distanciamento social e especialistas em infectologia classificarem tais posturas como um risco, o BHAZ continuará cumprindo seu papel de divulgar informações de interesse público e denunciar suspeitas de desobediência de normas.

SOLIDARIEDADE DO ‘CENSURA ZERO’

O Diretor de Redação e Conteúdo do CENSURA ZERO, jornalista André Oliveira, externa sua solidariedade aos jornalistas mineiros, repudiando os atos covardes que ferem a Liberdade de Imprensa, ultrapassando os limites da boa convivência em sociedade.

O CENSURA ZERO reforça o apelo para que as autoridades policiais identifiquem os responsáveis, e sejam tomadas as providências cabíveis para a devida punição.

CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA

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