Coordenador da Operação Resgate da Polícia Federal, que realizou blitz na Prefeitura de São Mateus na manhã desta segunda-feira (30/11), o delegado Pancho Rivas afirmou ao CENSURA ZERO que as buscas e apreensões ocorreram depois da constatação de indícios de ilegalidades na contratação de ambulâncias por meio da Secretaria Municipal de Saúde.
Em entrevista ao jornalista André Oliveira, o delegado confirmou que esta nova etapa da Operação Resgate ocorre depois do recebimento de diversas denúncias encaminhadas à Polícia Federal, que teve a cooperação da Justiça Federal em São Mateus na expedição de quatro mandados de busca e apreensão na Prefeitura, em empresas e residências.
Segundo o delegado Rivas, mais oito mandados foram cumpridos nos municípios de Colatina, Guarapari, Aracruz, Vitória e Presidente Kennedy. Também houve busca e apreensão na Prefeitura de Aracruz. A operação teve a participação de 42 policiais federais.
Na etapa realizada hoje, o objetivo foi apreender documentos que ajudem a esclarecer as investigações sobre um grupo de empresários suspeito de fraudar contratos de aluguel de ambulâncias com recursos federais para o enfrentamento da covid-19.
Em entrevista ao CENSURA ZERO, o delegado Rivas confirmou informações, também divulgadas pela Assessoria de Comunicação da PF, de que foram apurados indícios de combinação prévia dos preços que seriam apresentados pelas empresas participantes das concorrências públicas, além do fornecimento de equipamentos inferiores aos estabelecidos.

CONCORRÊNCIA DE FACHADA
Conforme apurou a Polícia Federal, empresas investigadas que apareciam como concorrentes nos certames, na realidade, pertencem ao mesmo grupo familiar e outras eram controladas por “laranjas” e, segundo o delegado, participavam dos processos apenas para conferir um aspecto de legalidade às contratações.
“Alguns dos contratos investigados foram celebrados após o início da pandemia de covid-19, o que levou à flexibilização das compras pelo Poder Público, com a contratação de serviços por dispensa de licitação. A participação de servidores públicos e a ocorrência de fraudes em outros municípios ainda está sendo apurada”, destaca nota à imprensa.
As investigações para chegar às prefeituras e às empresas envolvidas contaram com a participação das instituições conveniadas do Fórum de Combate à Corrupção (Focco/ES), em especial do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo.
Indagado pela Reportagem do CENSURA ZERO sobre a apuração de outras denúncias já apresentadas por órgãos de imprensa ou por vereadores sobre possíveis ilegalidades no uso de verba federal da covid em outras ações da Prefeitura de São Mateus, o delegado Rivas disse que elas não são objeto dessa etapa da Operação Resgate.
Ele confirmou que, de acordo com o que for apurado na documentação apreendida sobre a locação de ambulâncias, pode haver desdobramentos.

O OUTRO LADO
O prefeito Daniel Santana ainda não fez pronunciamento público sobre a operação da Polícia Federal no Centro Administrativo da PMSM na manhã desta segunda-feira (30/11).
A Secretaria Municipal de Comunicação Social não realiza entrevistas coletivas, optando pelo atendimento seletivo a jornalistas e veículos de comunicação. Até o momento, a Secom-PMSM não se manifestou.
CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA






