
Em assembleia geral unificada realizada nessa quarta-feira (1º/10), os servidores públicos estaduais aprovaram, por unanimidade, o início de uma greve geral a partir da próxima terça-feira (7). A informação foi divulgada pelo site Século Diário e confirmada pelo CENSURA ZERO.
A mobilização envolve aproximadamente 3.7000 servidores de 14 órgãos e secretarias do Executivo Estadual. “Não vamos recuar. Reunião sem proposta não resolve. Queremos resposta concreta para discutir com a categoria”, reforçou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos), Renata Setúbal.
A principal reivindicação das categorias é a reestruturação das carreiras, como instrumento para corrigir a defasagem salarial apontada como superior a 50%, por meio de reajustes que poderiam recuperar até 30% desse déficit.
Segundo a entidade, a implementação da proposta teria um impacto estimado em apenas 1% na folha de pagamento do Estado.
Greve mais recentes
A última greve geral dos servidores estaduais ocorreu há mais de duas décadas, durante o governo de José Ignácio Ferreira(PSDB).
Desde então, as mobilizações não tiveram o mesmo alcance: em 2012, a paralisação foi restrita ao Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
Já em 2015, no governo Paulo Hartung, o chamado “apagão dos serviços públicos” teve duração de apenas três dias.
“Agora estamos falando de uma greve geral, deflagrada a partir de terça-feira, com todos os trâmites legais cumpridos e a comunicação formal à sociedade e aos três poderes. Como o governo não apresentou propostas, a categoria não viu outro caminho”, afirma Renata Setúbal.
Interlocutor do Governo do Estado
Conforme noticiado pelo site Século Diário, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) agendou uma reunião com a diretoria do Sindipúblicos para a próxima segunda-feira (6/10). A direção sindical avalia que a iniciativa é resultado direto da pressão da categoria, mas os rumos do movimento grevista dependem da apresentação de uma proposta concreta por parte do Governo do Estado, já que, até o momento, nenhuma alternativa foi colocada à mesa.
Inicialmente previsto para junho, o encontro com Ferraço havia sido cancelado sob a justificativa dos impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Depois, secretários chegaram a se reunir com o Sindicato, mas sem qualquer proposta à campanha salarial deste ano.
Renata Setúbal também alerta para a evasão de profissionais, que chega a 40% em algumas carreiras, comprometendo diretamente a continuidade de políticas públicas essenciais, segundo levantamento do Sindipúblicos.
CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA






