Ufes participa de pesquisa inédita sobre tratamento alternativo para sífilis em grávidas

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O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória, participa de um estudo inédito sobre um tratamento alternativo para a cura da sífilis em gestantes. O ensaio clínico vai testar a eficácia e a segurança de um medicamento que já é utilizado para tratar outras infecções. A pesquisa, que deve durar dois anos, pode aumentar a possibilidade de tratamento para grávidas diagnosticadas com a doença.

Atualmente, apenas um medicamento – a penicilina – é considerado seguro e eficaz para as grávidas com sífilis. Entre 2014 e 2016, uma falta dessa droga no mercado provocou aumento no número de casos e acendeu o alerta de que era preciso encontrar um remédio alternativo que também consiga ultrapassar a barreira placentária para proteger o bebê.

“Embora, para homens, haja tratamento sem ser a penicilina, para as grávidas ela é o único tratamento. Então, nesse período de escassez, as mulheres grávidas ficaram sem tratamento e tiveram bebês com sífilis congênita”, explicou a médica da OMS, Edna Kara.

A pesquisa será realizada em outras duas cidades brasileiras, além de Vitória: Fortaleza e Pelotas, e é patrocinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e pelo Ministério da Saúde.

Na capital capixaba, os dados serão coletados no Hucam e enviados à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para análise laboratorial.

Neste ensaio clínico, os pesquisadores vão testar a cefixima, um remédio utilizado mundialmente para o tratamento de outras infecções, mas que ainda não é usado para a sífilis. Diferentemente da penicilina, que é injetada, a cefixima é ministrada em comprimidos.

O estudo consiste em medicar grupos de mulheres, inicialmente, não grávidas. Enquanto parte delas vai receber a penicilina, outra vai fazer uso da cefixima. Elas estarão em constante monitoramento, para verificar os efeitos do remédio.

NÚMEROS ALARMANTES

De acordo com a OMS, a sífilis atinge mais de 12 milhões de pessoas em todo o mundo e a eliminação da doença é um desafio para os sistemas de saúde.

No Espírito Santo, o número de casos novos da doença em adultos triplicou nos últimos seis anos. Em 2012 foram quase 1.500 casos. Em 2018, mais de 4.500. Além disso, quase duas mil grávidas também apresentaram a doença no ano passado.

“A gente tem visto nos últimos anos um aumento estratosférico dos casos de sífilis no Brasil. E aí, o Ministério da Saúde achou super importante a participação pela alta taxa que agente tem de sífilis congênita. Se agente conseguir fazer esse estudo em mulheres não gestantes, o próximo passo é tentar fazer em mulheres gestantes. Porque a ideia principal é um tratamento alternativo para fazer o controle dos casos de sífilis congênita para evitar que a criança nasça contaminada”, disse a representante do Ministério da Saúde, Angélica Espinosa Miranda.

SÍFILIS

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis é uma infecção sexualmente transmissível e também pode ser passada de mãe para filho, durante a gestação.

Ela provoca feridas na região contaminada, febre, mal-estar e manchas no corpo. A longo prazo, a doença pode causar problemas cardiovasculares e neurológicos. Se transmitida da mãe para o bebê, a criança pode nascer com problemas ósseos, deficiência mental ou cegueira, em decorrência da sífilis congênita.

CENSURA ZERO – AQUI TEM CONTEÚDO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA | FONTE: G1ES

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