Atual presidente municipal da legenda, o ex-prefeito Amadeu Boroto isentou o MDB de possível articulação político-eleitoral envolvendo o Poder Judiciário para suspender ou cassar a punição de inelegibilidade que a legislação impôs a ele em face da reprovação das prestações de contas 2015 e 2016 de sua gestão no segundo mandato à frente da Prefeitura de São Mateus. No entanto, o empresário revelou que tem uma banca de advogados constituída para tentar reverter, no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), a punição que sofreu do Tribunal de Contas (TCE-ES) e da Câmara de Vereadores de São Mateus.
As declarações de Amadeu foram dadas em entrevista exclusiva ao CENSURA ZERO, que repercutiu a reportagem especial publicada na sexta-feira (22/03), com o título ELEIÇÕES 2024 – Analista descarta disposição para possível “escândalo jurídico e partidário-eleitoral” e crava que “Amadeu não será candidato em São Mateus”; ex-prefeito foi reprovado como gestor no 2º mandato por então conselheiro do TCE-ES, que hoje preside o MDB em Vitória: 11 atos de improbidade administrativa insanáveis“.
Na matéria, um analista político ouvido pelo CZ deduz que Amadeu Boroto não se prestaria a ser personagem do que chamou de “grande escândalo jurídico e partidário-eleitoral”, já que os pareceres prévios do Tribunal de Contas do Espírito Santo pela rejeição das duas contas do ex-prefeito foram emitidos pelo então relator Sérgio Manoel Nader Borges, aprovados à unanimidade no TCE-ES. O consultor é taxativo: “Eu me arrisco a afirmar que Amadeu Boroto não será candidato em São Mateus. É um ônus muito pesado que ele pode vir a sofrer”. O presidente estadual do MDB é o vice-governador e secretário estadual de Desenvolvimento, Ricardo Ferraço, que, após Sérgio Borges se aposentar do TCE-ES, convidou-o para reingressar aos quadros do partido, como presidente da Executiva Municipal do MDB em Vitória.
“As minhas contas não tem dolo”, afirmou Amadeu Boroto na tarde dessa segunda-feira (25/03), vislumbrando a possibilidade de conseguir êxito no recurso apresentado ao Tribunal de Justiça, sobre o qual o presidente municipal do MDB não deu muitos detalhes. Conforme o CENSURA ZERO já noticiou, nos pareceres prévios do TCE-ES, duas irregularidades foram mantidas “no campo de ressalva” e ficou comprovado que Amadeu cometeu 11 atos de improbidade administrativa insanáveis em 2015 e 2016. “É uma coisa que eu posso reverter”, insistiu o ex-gestor ao CZ.
Mesmo assim, Amadeu Boroto esquivou-se de adiantar seu posicionamento sobre disputar pela terceira vez o cargo de prefeito nas Eleições 2024: “Se eu conseguir reverter [a inelegibilidade na Justiça], vou estudar a possibilidade de ser candidato a prefeito. Nunca falei que sou pré-candidato a prefeito. Os meus advogados se colocam sempre muito confiantes em poder reverter a situação. Mas eu não estou desesperado. Não está dentro da minha cabeça essa discussão de ser candidato”.
Amadeu confirma que ingressou no MDB por solicitação de Ricardo Ferraço, com a anuência do governador Renato Casagrande. “Os dois são meus amigos”, destaca o agora líder emedebista, resgatando parcerias políticas com Casagrande. “Eu não fui lá, em Vitória, buscar partido”, enfatizou.
Sempre direto, ele foi enfático até mesmo em rechaçar que tenha voltado ao cenário político de São Mateus por causa da situação caótica do Município em decorrência da atual gestão municipal: “Foi pelo convite que o Ricardo [Ferraço] me fez”.

MDB EM SÃO MATEUS
O ex-prefeito de São Mateus disse que esse convite para ingressar no MDB foi feito a ele por Ricardo em novembro de 2023, quando a presidência municipal ainda era exercida pela pré-candidata a prefeita Marília Silveira. Amadeu Boroto não quis comentar as circunstâncias que envolveram a saída dela da sigla, depois de, a mando do prefeito Daniel Santana, encabeçar um abaixo-assinado contra o Contorno de São Mateus, mas disse que chegou a conversar recentemente com a agora ex-secretária.
Amadeu destaca que a filiação dele ao MDB tem o objetivo inicial de organizar o partido, montando a chapa de pré-candidatos(as) a vereador(a). Ele confirmou entre os novos quadros do partido os nomes de “pesadões” que se insinuavam politicamente para o pré-candidato a prefeito Carlinhos Lyrio (Republicanos), como os atuais parlamentares Carlinho Simião e Pia, e os ex-vereadores Delermano Suim, Aquiles Moreira e Wanderlei Segantini, e já se encaminhavam para “fechar compromisso”.
Com o argumento de “já terem sido testados nas urnas”, Simião, Pia, Segantini e outros membros desse grupo chegaram a frequentar reuniões públicas lideradas por Carlinhos Lyrio, com filiados dos partidos Republicanos, Agir e PMB.
Por conta de uma suposta soberba eleitoral, a turma foi apelidada de “pesadões”, já que carrega uma rejeição natural da composição atual do Legislativo de São Mateus. Eles encontraram resistência, porque tinham a intenção de compor quase 100% da chapa de pré-candidatos(as) do Republicanos, partido do pré-candidato a prefeito, sem dialogar com os já filiados.
Nos bastidores políticos de São Mateus, correm informações de que os mandatários que lideram essa chapa dos “pesadões” aproveitaram a abertura da janela partidária e, sem nem mesmo dar satisfação a Carlinhos Lyrio, aproveitaram a ‘porta escancarada’ por Amadeu Boroto e já oficializaram adesão ao MDB. Na entrevista ao CENSURA ZERO, Amadeu confirmou que outros nomes tentaram ir para o MDB, mas o entendimento com o grupo pré-definido prevaleceu.

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