CRÔNICAS DE NEIDE LIMA – Viagem sem destino

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Sempre tive orgulho de dizer que conheço os 78 municípios desse nosso lindo Estado do Espírito Santo. Aliás, um Estado santo, em se tratando de belezas, hospitalidade, clima, paisagens e sua gente, com sua cultura e linguagem popular.

Então, na quarta-feira, dia 30 de dezembro, penúltimo dia do ano, e que ano, sai sem roteiro e sem reserva de hotel com destino ao Sul do Estado.

Meu marido Godinho, angolano, gosta muito de ler e pesquisar. Lá, de Angola, ele me falou que leu sobre o Frade e a Freira, em Itapemirim, e do patrimônio histórico tombado na cidade de Muqui.

Foi com esse sentimento e um calor infernal que estava aqui, em Vitória, às 14 horas do dia 30 de dezembro, que saímos sem roteiro e sem reservas. Era antevéspera de Réveillon.

E foi assim que chegamos à casa de nossos amigos Edilza e Paulo. Lá estava tão fresco que passamos toda a tarde; saboreamos uma comida maravilhosa, suco e salada de frutas, carinho, hospitalidade e muito prosa boa. De lá, não queríamos sair, lugar tão aprazível.

Mesmo sem compromisso oficial, tinha marcado com nossa vereadora de Vila Velha Patrícia Crizanto de tomarmos um café em Guarapari, onde ela estava passando férias. Encontro muito proveitoso e proativo. Para não quebrar o costume de nossas conversas, o assunto foi política.

Vereadora nota 10, com certeza, vai fazer mais no segundo mandato do que no primeiro. É uma mulher que gosta de trabalhar e executa com maestria, no Legislativo, a sua função.

Às 23h30 ou, mais ou menos, à meia-noite (não marquei bem a hora chegamos em Piúma), a bela Cidade das Conchas, onde nos esperava com todo carinho e cansaço a jornalista e militante socialista. Ela que está com dois stands na Feira do Sol, desde o último dia 18.

Gente, a Luciana Máximo realmente é uma mulher pequena, como diz a música de Roberto Carlos, mas o que tem de energia e conhecimento é de tirar o chapéu. Conseguiu uma vaga em um hotel de frente para a praia, como cortesia do seu Jornal Espírito Santo Notícias.

No último dia do ano de 2020, acordamos tarde, como bons turistas sem agenda fazem, tomamos café e saímos meio-dia para uma praia linda, sem aglomeração, sombra, água fresca e areia sob os pés!

No início da Praia de Piúma, para quem chega de Vitória, e última para quem segue a Capital, vindo da Pérola Capixaba, onde é possível se prostrar de frente ao Monte de Ver Deus, assim batizado pelos índios que lá habitavam, ou Aghá, a Ilha dos Cabritos, a Ilha do Meio e, ao lado, a majestosa Ilha do Gambá.

Fomos contemplar um dos pôr-do-sol que não perde para o do Jacarezinho, na Paraíba; a diferença é que, na Ilha do Gambá, não tem aquele barco lindo com aquele homem de terno branco e chapéu (parecendo o boto). tocando o bolero de Gardel, do começo ao fim do pôr-do-sol. Fora este detalhe, um é tão lindo quanto o outro.

Pasmem! Pela manhã, o mar desaparece, fica pertinho das Ilhas e, nas areias, as conchas formam um tapete espetacular, de onde saem peças de artesanato para o mundo. Incrível!

Dormimos, mais uma vez, em Piúma. Claro que, aos cuidados e carinho, de nossa querida Luciana Máximo. Pedimos a ela um roteiro: acostumada a gravador e outras tecnologias, ela gravou. Passa a ponte de Anchieta, entra à esquerda, faz um passeio pelo cais onde verão pescadores alimentando as garças (eu nem sabia que isso era possível: uma garça vir comer em minha mão).

Não deixem de visitar o Santuário Nacional José de Anchieta, que, por sinal, nos encantou. Eu não conhecia a história desse jesuíta da Companhia de Jesus, que desde os 14 anos, dedicou a vida a servir a Deus e a ajudar a todos que precisassem, principalmente, os índios. Na cela, onde morreu o beato, parte de seus restos mortais.

Ah, o bairro da Penha no alto, onde está o cemitério local. A cidade nos encantou, do alto onde reside a classe mais poderosa (com suas mansões), pode se ter uma das vistas mais lindas de paisagens diversas.

O maior mangue do Espírito Santo margeado pelo Rio Benevente, que batizou a cidade um dia, depois de ser Rerigtiba, e trouxe os imigrantes para a casa de quarentena rumo a Alfredo Chaves, o Centro Cultural, onde guardam as cartas do império, a Escola Maria Matos, na qual as filhas dos homens mais importantes do Estado estudaram; a casa das irmãs Carmelitas, do outro lado bem no alto.

Visitamos o Parque do Papagaio, obra em fase de conclusão; conseguimos ver os detalhes de sua beleza.

A última dica de nossa anfitriã é que não deixem de conhecer a Praia dos Castelhanos! Tão azul tão azul. Gentennnnnn o é aquilo? Pensei em encontrar uma dessas praias de interior, onde não existem frequentadores e que se pode até nadar nu!

Quão inocente eu estava! A praia tem hotéis, restaurantes, quiosques e bares lindos de um colorido sem igual, árvores e pedras ímpar. Sinceramente, um mundo à parte que geograficamente faz parte de Anchieta.

Estávamos combinados com nossa amiga Lane (Roselane Araújo) que íamos para Cachoeiro de Itapemirim. Mas o destino não quis, por motivo de saúde na família, minha anfitriã não podia nos receber na Capital Secreta do Mundo. Sendo assim, estava fora do roteiro e também ficou faltando chegar a Muqui, a cidade que ainda traz os trilhos cravados no chão e monumentos centenários que meu marido tanto queria conhecer.

Onde vamos agora? Mais uma vez, Luciana veio ao nosso socorro: Alfredo Chaves, Cachoeira de Matilde, São Bento de Urância, São Roque de Maravilha, rampa de voo livre, em Cachoeira Alta, e outros. Por lá, a Natureza é soberana e o verde dá o tom da paisagem, além de cachoeiras cristalinas.

Não medi a distância: partiu Alfredo Chaves! Depois que voltamos do passeio, ligamos para nosso querido prefeito Dr. Fernando Lafayete, que nos convidou para irmos à festa de aniversário de um grande amigo dele, o Alemão, e a festa estava sendo realizadas no seu sítio.

Acreditem! Nunca vi tantos tipos de comidas e bebidas para todos os gostos e paladares. Ficamos até tarde; lá perdemos a pressa que não tínhamos.

Viemos dormir na casa dos queridos amigos Adriana Parteline e Alexandre, que nos esperavam uma bela suíte.

Adriana, minha amiga de muitos anos, deixou suas férias maravilhosas em Guarapari para vir nos receber. Fiquei com vergonha de tantos cuidados, carinhos e mimos.

Já fomos dormir com a programação: amanhã, vamos levar vocês no Restaurante do Zuco, em Vargem Alta, que é a Suíça brasileira. Realmente, eu que conheço a Suíça, fiquei boquiaberta com a vista linda que se tem lá do restaurante. Parece mesmo a Suíça: montanhas lindas entre vales com paisagens de tirar o fôlego!

Eu nunca tinha saído na esquina de casa sem programar. Então, o nosso fim de ano foi, realmente, MA-RA-VI-LHO-SO!

E viagem sem roteiro foi mil vezes melhor de tudo que programei até hoje! Agora só quero desejar a todas e todos um 2021 cheio de bênçãos dos céus!

Feliz 2021!

*NEIDE LIMA é socióloga, graduada e pós graduada em Psicanálise Clínica, licenciada em Pedagogia e mestre em Políticas Públicas.

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